Acesso ao principal conteúdo
Prémio Camões 2020

Vítor Manuel de Aguiar e Silva - Prémio Camões 2020

Vítor Manuel de Aguiar e Silva, camoniano, professor e ensaísta é o Prémio Camões 2020.
Vítor Manuel de Aguiar e Silva, camoniano, professor e ensaísta é o Prémio Camões 2020. © dr
Texto por: Isabel Pinto Machado com Lusa
9 min

Vítor de Aguiar e Silva, de 81 anos de didade, foi eleito a 27 de outubro, Prémio Camões de Literatura em língua portuguesa 2020, o professor, teórico e ensaísta português é um acérrimo crítico do novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa, que segundo ele resulta numa "língua desfigurada, nas suas raízes latinas e românicas", pelo que continua a escrever segundo o acordo de 1945.

Publicidade

Vítor Manuel Pires de Aguiar e Silva ensaísta e professor universitário, nasceu em Penalva do Castelo, distrito de Viseu, em 1939 e é investigador em literatura portuguesa dos períodos maneirista do século XVI, barroco do século XVIII e modernista, da primeira metade do século XX, mas também da obra de Luís de Camões e a sua bibliografia iniciada há mais de 60 anos com "Para uma interpretação do classicismo" em defesa da literatura que o autor considera "uma voz insubstituível dos sonhos e misérias".

Vítor Aguiar e Silva é um acérrimo crítico do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 e foi eleito pelo júri do Prémio Camões 2020, em reconhecimento pela "sua obra que reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa" ressalvando ainda a “importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel activo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”, pode ler-se no comunicado divulgado a 27 de outubro em Lisboa, pelo júri da 32.ª edição do Prémio Camões.

No âmbito da teoria literária, a sua obra reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa. Objecto de sucessivas reformulações, a Teoria da Literatura constitui-se como exemplo emblemático de um pensamento sistematizador, que continuamente se revisita. Releve-se igualmente o importante contributo dos seus estudos sobre Camões”, acrescentou o júri.

A ministra da cultura de Portugal, Graça Fonseca, que anunciou o vencedor, destacou “as qualidades intelectuais e académicas, mas também o perfil humanista com que marcou de um modo decisivo gerações de alunos, um pouco por todos os lugares onde ensinou, bem como leitores, cuja obra revela o seu apurado sentido crítico e o sempre renovado olhar de leitor”.

Vítor Manuel de Aguiar e Silva é Prémio Camões 2020

Vítor Manuel de Aguiar e Silva,obteve na Universidade de Coimbra, todos os seus graus e títulos académicos e foi professor catedrático da Faculdade de Letras até 1989, ano em que pediu transferência para a Universidade do Minho.

Nesta Universidade, foi professor catedrático do Instituto de Letras e Ciências Humanas, fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica. Desempenhou também as funções de vice-reitor, de junho de 1990 a julho de 2002, altura em que se aposentou.

O ensaísta recebeu vários prémios ao longo da sua carreira, entre os quais o Prémio Vergílio Ferreira em 2002, atribuído pela Universidade de Évora, o Prémio Vida Literária, em 2007, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Caixa Geral de Depósitos, Prémio D. Dinis em 2009, o Grande Prémio do Ensaio Eduardo Prado Coelho em 2010 atribuido pela Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural, em 2018.

Mas o galardoado diz que o Prémio Camões é o corolário de toda a carreira. "...creio que recebi todos os prémios que tinha de receber, mas o Prémio Camões é o de coroamento de uma vida universitária como investigador da língua e da literatura portuguesas", resume o vencedor do prémio.

Entre os vários livros escritos por Vítor Aguiar e Silva, o júri do Prémio Camões destaca "A Teoria da Literatura" de 1967, alvo de "sucessivas reformulações", como destaca , avisando que ainda não deixou de rever essa obra.

"Na teoria da literatura foram surgindo novas correntes, novos problemas, novas questões e eu quero dar, nesta que espero que seja a última edição, o estado da arte, o estado em que se encontra hoje a disciplina denominada de Teoria da Literatura, talvez daqui a um ano, se tiver vida para isso, um ano e meio."

Desde sempre crítico do novo acordo ortográfico de 1990, que considera resultar numa "língua desfigurada, nas suas raízes latinas e românicas", Vítor Aguiar e Silva foi um dos signatários da Petição em Defesa da Língua Portuguesa, contra o novo Acordo Ortográfico, que desde 2 de maio de 2008 recebeu mais de 128 mil assinaturas.

O Prémio Camões 2020 não esconde que uma das suas grandes desilusões, foi a edição da obra "Dicionário de Luís de Camões" respeitando o novo acordo.

"Fiquei, digamos, zangado com a decisão da editora. O chamado Novo Acordo Ortográfico, em meu entender, tem algumas soluções que são aberrativas para os portugueses e para os brasileiros". No Brasil, que aponta como "a grande potência da língua portuguesa no século XXI, que já é desde o século XX", algumas das soluções do novo acordo "não foram bem recebidas", afirma o vencedor do Prémio Camões 2020.

O seu último livro "Colheita de Inverno" lançado em julho deste ano, foi escrito segundo o acordo de 1945 e .

Prémio Camões

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Actualmente no valor de 100 mil euros, o Prémio Camões foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2019 o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de “Leite Derramado” e “Budapeste”, entre outras obras.

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Portugal e Brasil lideram a lista de distinguidos com o Prémio Camões, com 13 premiados cada, seguindo-se Moçambique e Cabo Verde, cada um com dois laureados, mais um autor angolano e outro lusoangolano.

A história do galardão conta apenas com uma recusa, a do luso-angolano Luandino Vieira, em 2006.

Lista dos distinguidos com o Prémio Camões:

1989 – Miguel Torga, Portugal

1990 – João Cabral de Melo Neto, Brasil

1991 – José Craveirinha, Moçambique

1992 – Vergílio Ferreira, Portugal

1993 – Rachel Queiroz, Brasil

1994 – Jorge Amado, Brasil

1995 – José Saramago, Portugal

1996 – Eduardo Lourenço, Portugal

1997 – Pepetela, Angola

1998 – António Cândido de Mello e Sousa, Brasil

1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal

2000 – Autran Dourado, Brasil

2001 – Eugénio de Andrade, Portugal

2002 – Maria Velho da Costa, Portugal

2003 – Rubem Fonseca, Brasil

2004 – Agustina Bessa-Luís, Portugal

2005 – Lygia Fagundes Telles, Brasil

2006 – José Luandino Vieira, Portugal/Angola

2007 – António Lobo Antunes, Portugal

2008 – João Ubaldo Ribeiro, Brasil

2009 – Arménio Vieira, Cabo Verde

2010 – Ferreira Gullar, Brasil

2011 – Manuel António Pina, Portugal

2012 – Dalton Trevisan, Brasil

2013 – Mia Couto, Moçambique

2014 – Alberto da Costa e Silva, Brasil

2015 – Hélia Correia, Portugal

2016 – Raduan Nassar, Brasil

2017 – Manuel Alegre, Portugal

2018 – Germano Almeida, Cabo Verde

2019 – Chico Buarque, Brasil

2020 – Vítor Aguiar e Silva, Portugal

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.