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Líbano/França

Líbano: violentos confrontos durante manifestação contra a França e caricaturas de Maomé

Manifestação muçulmana contra a França em Beirute, a 30 de outubro 2020, em protesto contra a não proibição das caricaturas de Maomé.
Manifestação muçulmana contra a França em Beirute, a 30 de outubro 2020, em protesto contra a não proibição das caricaturas de Maomé. © AFP - Anwar Amro
6 min

Violentos confrontos em Beirute opondo manifestantes e forças da ordem nesta sexta-feira, 29 de outubro, provocados por protestos perto da residência do embaixador de França, contra a posição de Emmanuel Macron e do seu governo, que em nome da liberdade de expressão não proíbem as caricaturas do profeta Maomé, ou de seja quem for.

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Registaram-se confrontos entre manifestantes e forças da ordem nesta sexta-feira, 29 de outubro, em Beirute, quando cerca de 200 pessoas, após a oração muçulmana das sextas-feiras numa mesquita próxima da residência do embaixador de França, se concentraram brandindo bandeiras pretas com a inscrição da "chahada" a profissão de fé muçulmana segundo a qual "só há um Deus, Allah", em protesto contra a posição do governo francês e do Presidente Emmnuel Macron, que recusa proibir as caricaturas do profeta Maomé, ou de qualquer outra pessoa, em nome da liberdade de expressão.

Um dos manifestantes arvorava um cartaz com um desenho do Presidente Emmanuel Macron em forma de serpente, o equivalente a satanàs e a inscrição em árabe e francês "a França está em crise por causa de Macron...o Islão é-nos caro".

Dezenas de polícias da brigada anti-motim, instalados desde esta manhã no sector, impediram que os manifestantes convocados pelo partido islamita Hizb al-Tahir, avançássem até à residência do embaixador de França.

Os manifestantes lançaram pedras contra as forças da ordem que ripostaram com gazes lacrimogéneos, para os dispersar.

Confrontos em Beirute durante protestos contra a França

Muçulmanos em vários países do mundo árabe e não só, apelam ao boicote de produtos franceses e manifestam contra a defesa pelo Presidente Emmanuel Macron dos valores laicos da República Francesa e o direito ao blasfémio, na sequência da decapitação a 16 de outubro do professor Samuel Paty, por um refugiado em França, de origem russo-chechena.

Esta quinta-feira, 29 de outubro, após o ataque à facada por um cidadão tunisino na catedral de Nice, que causou a morte de três pessoas, o Presidente Emmanuel Macron denunciou um "ataque terorista islamita" e reiterou "não cederemos" sobre os valores franceses e em particular "a liberdade de crença ou não".

 

Manifestações contra a França

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram esta sexta-feira, 30 de outubro contra a França no Paquistão, Bangladesh, Afeganistão ou ainda nos Territórios Palestinianos, em protesto contra as delclarações do Presidente Emmanuel Macron sobre a liberdade de expressão e o direito à caricatura em França, um país laico.

Cerca de 2.000 pessoas manifestaram em Islamabad, capital do Paquistão, nesta sexta-feira, 30 de outubro, a polícia ripostou com gazes lacrimogneos, depois de os manifestantes terem lançado pedras.

Grupos religiosos, estudantes e pequenos comerciantes tentaram dirigir-se à embaixada de França, gritando "expulsem o cão francês" ou ainda "decapitem o blasfemador".

Cerca de 10.000 pessoas participaram numa marcha contra a França em Karachi, a maior cidade do Paquistão, no sul do país, 

Em Lahore, no leste cerca de 3.000 pesoas manifestaram, respondendo ao apelo do partido religioso Tehreek-e-Labbaik, cujo cavalo de batalha é a luta contra a blasfémia.

O primeiro-ministro paquistanês Imran Khan acusou o Presidente Emmanuel Macron de "atacar o Islão"

No Afeganistão pequenas manifestações tiveram lugar hoje, principalmente em Herat, a capital do oeste do país, onde milhares de pessoas gritaram "Morte à França ! Morte a Macron".

Em Dacca, capital do Bangladesh, os manifestantes gritaram "boicotem os produtos franceses" e brandiram cartazes qualificando Emmanuel Macron de "pior terrorista do mundo", enquanto outros queimavam afígies do Presidente francês.

Na India, num bairro de maioria muçulmana em Bombaím, uma centena de fotografias de Emmanuel Macron com a marca de uma sola de sapato na cara, qualificando-o de demónio, foram coladas em várias ruas e passeios.

Milhares de fiéis muçulmanos reuniram-se frente à mesquita de Al Aksa em Jerusalém, terceiro lugar santo do Islão, para condenar a nova publicação de caricaturas de Maomé em França, gritando "uma nação cujo líder é Maomé não será vencida".

Em Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, os palestinianos esmagaram com os pés e queimlaram banderias francesas e na Faixa de Gaza, centenas de palestinianos participaram em protestos contra a França. 

 

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