Estados Unidos

Presidenciais sob tensão nos Estados Unidos

O antigo vice-presidente democrata, Joe Biden, enfrenta o Presidente cessante, o republicano Donald Trump.
O antigo vice-presidente democrata, Joe Biden, enfrenta o Presidente cessante, o republicano Donald Trump. © RFI

Dezenas de milhões de eleitores americanos são chamados às urnas nesta terça-feira para escolher entre o Presidente cessante, o republicano Donald Trump, 74 anos, e ou seu adversário democrata, o antigo vice-presidente Joe Biden, 77 anos, num contexto de divisão extrema entre duas visões da América.

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As primeiras mesas de voto abriram por volta das 6 horas locais para recolher as dezenas de milhões de votos que ainda faltam nestas eleições que, devido à pandemia, têm sido particularmente marcadas pelo voto por antecipação. Até ao dia de ontem, mais de 97 milhões de eleitores tinham tomado esta opção com vista a evitar grandes filas, numa altura em que os Estados Unidos lideram o triste ranking dos países mais afectados pela covid-19, com um balanço de mais de 230 mil mortos.

A problemática do coronavírus foi precisamente a questão que dominou praticamente toda a campanha eleitoral que decorreu um clima extremamente agressivo. O campo democrata teceu advertências sobre os efeitos que podem ter mais 4 anos com Donald Trump na Casa Branca, tanto no que toca à gestão da pandemia, como também em termos de instituições democráticas. O Presidente cessante por sua vez, agitou o perigo do que denomina de uma "esquerda radical" pronta para transformar os Estados Unidos na "Venezuela em larga escala".

Deste processo que decorre num contexto de expectativa, com dois blocos bem distintos a fazerem-se frente, não se esperam resultados imediatos. Para além dos votos a serem efectuados hoje, faltará também tomar em consideração os votos por correspondência, o que poderá tornar mais complicada a tarefa de algumas mesas de voto e prolongar de alguns dias a contagem. Outra incógnita, durante a campanha, o Presidente cessante nunca deu garantias de que iria aceitar os resultados eleitorais, sejam eles quais forem. Em entrevista à RFI, o jornalista português João Santos Duarte admite que o resultado eleitoral pode não ser conhecido esta noite.

João Santos Duarte, jornalista português

De referir que neste escrutínio que decorre por sufrágio indirecto, devem ser eleitos os 538 grandes eleitores repartidos pelos 52 Estados do país que, em seguida, devem eleger o Presidente da República. Para um candidato sair vencedor, ele não precisa necessariamente de recolher a maioria dos votos a nível nacional, bastando conquistar pelo menos 270 grandes eleitores. Com efeito, em virtude deste complexo sistema eleitoral, Donald Trump alcançou a vitória em 2016, com 290 grandes eleitores, apesar da sua então adversária, a democrata Hillary Clinton, ter obtido cerca de 2 milhões de votos a mais.

Também presente nas memória colectiva dos americanos está a eleição presidencial do ano 2000 em que o republicano George W Bush tinha acabado por sair vitorioso face ao seu adversário, o antigo vice-presidente democrata Al Gore, com pouco mais do que 500 votos a mais do que o seu rival na Flórida, ao fim de um interminável processo de recontagem dos votos naquele Estado considerado "chave" para vencer as presidenciais americanas.

 

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