Peru/política

Parlamento destitui chefe de Estado no Peru supeito de ter recebido luvas

Martín Vizcarra, presidente destituído do Peru, durante o seu discurso de despedida.O parlamento votou a favor da sua destituição no dia 9 de Novembro de 2020.
Martín Vizcarra, presidente destituído do Peru, durante o seu discurso de despedida.O parlamento votou a favor da sua destituição no dia 9 de Novembro de 2020. AFP

Menos de dois meses  depois de  uma primeira tentativa, o  Parlamento peruano  votou  na segunda-feira a favor  da destituição do Presidente da República , Martin Vizcarra. Vizcarra é  acusado  de  “incapacidade moral” por  ter alegadamente beneficiado de luvas quando era governador em 2014.

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Na  sua  qualidade de vice-presidente,Martin Vizcarra  tinha sucedido a Pedro Pablo Kuczynski, também acusado de corrupção,em 2018, e  era precisamente tidopelos peruanos como o arauto da luta anti-corrupção.

A moção que levou a  destituição do Presidente Vizcarra registou  mais votos  do que os 87 necessário,  com 105 deputados  a favor, 19 contra e  4 abstenções.

 

O  presidente do Parlamento peruano, Manuel Merino, vai  assumir as funções  de chefe de Estado, a partir  de terça-feira  próxima, até  ao  final do mandato de Martin Vizcarra, no dia 28 de Julho de 2021.

 

Embora muito popular, Vizcarra que  é estituído após 32 meses  de  governo, não estava filiado  em nenhum partido.

A  primeira  tentativa  parlamentar para afastar  o agora ex-presidente,teve lugar em 18 de Setembro último.

Martin Vizcarra  afirmou  ter a consciência tranquila  e que deixava  o palácio governamental como tinha  entrado, com a cabeça erguida.

 

Peruanos desfavoráveis ao voto do Parlamento, protestaram nas redes sociais e várias dezenas de pessoas foram às ruas  de Lima na noite de segunda-feira, para denunciar o que elas qualificaram de golpe parlamentar.

 

Segundo o  politólogo Augusto Alvarez Rodrich, a destituição  de Martin Vizcarra enfraquece institucionalmente  o Perú.

Rodrich considera  que Manuel Merino, pouco conhecico pela população peruana, será um presidente  fraco, que terá  que governar  na perspectiva das eleições gerais em Abril de 2021  e num contexto agravado pela pandemia.

 

Manuel Merino torna-se o terceiro presidente da República do Peru,desde 2016,um sinal que caracteriza a fragilidade institucional da antiga colónia  espanhola, da América  do sul, independente  desde 1821.

Presidente peruano destituído

 

    

 

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