França/sociedade

Evacuação de acampamento de migrantes perto de Paris ou ciclo sem fim

A polícia francesa  no decurso  da  evacuação do acampamento de migrantes que se encontrava sob um ramal da A1 (autoestrada do Norte, em Saint-Denis, na  região parisiense. Saint-Denis.17 de Novembro  de 2020.
A polícia francesa no decurso da evacuação do acampamento de migrantes que se encontrava sob um ramal da A1 (autoestrada do Norte, em Saint-Denis, na região parisiense. Saint-Denis.17 de Novembro de 2020. REUTERS - NOEMIE OLIVE

Um novo acampamento de migrantes, próximo de Paris  foi desmantelado  na manhã desta terça-feira.  Segundo os especialistas das migrações e as organizações humanitárias, o mesmo  acampamento ressurgirá num outro, enquanto não  for  reformada a política de acolhimento e alojamento para os migrantes   

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Os especialistas  da imigração  e as orgnizações  humanitárias  consideram que a decisão aplicada na  terça-feira pelas autoridades francesas, não prolonga senão um ciclo interminável.

De acordo com observadores, a  evacuação de cerca de 2.400 exilados do seu acampamento, situado sob um ramal da autoestrada do norte, na  região parisiense de Seine-Saint-Denis, não  representa  uma novidade.

Desde que  a crise migratória teve o seu auge  em 2015,  é o sexagésimo quinto grande desmantelamento levado a  cabo em île de France,região parisiense, em  cerca de 300  operações chamadas de "transferência para abrigo seguro".  Todavia após cada desmantelamento  reaparece um novo acampamento,  na maioria das  vezes insalubre.

 

Segundo um estudo realizado por  associações de entreajuda, três residentes em cada quatro dos acampamentos, já tinham vivido antes num outro sítio desmantelado.

De acordo com as organizações, Médicos Sem Fronteiras e Emmaüs , estamos perante  um ciclo sem fim  que  é destrutivo.

As duas associações e  demais  homólogas denunciaram na  terça-feira, a inadequação  e os desfuncionamentos do sistema de alojamento proposto aos exilados.

No  espaço  de  cinco anos, o dispositivo francês  de acolhimento duplicou e está agora com uma capacidade para 110 mil lugares, mas o mesmo é constantemente superado pelo número de requerentes de asilo.

Segundo  François Heran, director de estudos sobre as migrações do Collège de France (Colégio  de França),a França  deve  adoptar a mesma estratégia que a Alemanha, onde as  associações humanitárias  cristãs são capazes de propôr  acolhimento, em  caso de crise. Héran  afirma  que em França prevalece a ideia segundo a qual o Estado deve encarregar-se de tudo.

Louis Barda  da  organização  Médico do Mundo (Médecins du Monde), considera que  há uma vontade política de perpetuar o ciclo infernal  e  de manter uma estratégia permanente de dispersão, de  forma a  dissuadir os  migrantes de virem para a França. 

 

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