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Nagorno-Karabakh

Azerbaijão retoma segundo distrito limítrofe de Nagorno-Karabakh

Alguns habitantes do Nagorno-Karabakh preferiram queimar as próprias casas.
Alguns habitantes do Nagorno-Karabakh preferiram queimar as próprias casas. via REUTERS - HAYK BAGHDASARYAN/PHOTOLURE
Texto por: Lígia ANJOS
3 min

O Azerbaijão recuperou esta quarta-feira, 25 de Novembro, o controle do distrito de Kelbajar, fronteira com Nagorno-Karabakh, a segunda das três áreas que a Arménia terá de devolver depois do acordo de cessar-fogo que acabou com seis semanas de combates nesta região separatista.

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O ministério da Defesa de Baku anunciou em comunicado a entrada de "unidades do exército do Azerbaijão no distrito de Kelbajar esta quarta-feira", resultado do pacto assinado no início de Novembro entre Arménia e Azerbaijão e negociado pela Rússia.

Localizado entre a república auto-proclamada de Nagorno-Karabakh e a Arménia, o distrito de Kelbajar deveria ter sido devolvido em 15 de Novembro, mas Baku não cumpriu com a data, alegando razões humanitárias.

Num comunicado televisivo, o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, prometeu defender "a herança nacional" representada nos diversos monumentos religiosos de Kelbajar e criticou os arménios por "incendiarem florestas" e "queimarem casas que não construíram" antes de deixarem o território.

Com a assinatura do acordo de cessar-fogo, Erevan aceitou devolver três distritos nas proximidades de Nagorno-Karabakh controlados há quase três décadas pelas forças arménias, depois de uma primeira guerra nos anos 1990 no enclave que tirou a vida a 30.000 pessoas e fez centenas de milhares de deslocados.

O distrito de Kelbajar, assim como Aghdam, devolvido a 20 de Novembro, e o de Lachin, que deverá ser recuperado no dia 1 de Dezembro, constituíam uma área desmilitarizada perto do território separatista.

O exército do Azerbaijão divulgou imagens do regresso dos seus soldados e apresentou operações nocturnas de desminagem nesta região montanhosa.

Queimar casas

Jornalistas da agência France-Presse presenciaram a momentos em que arménios derrubaram árvores, recuperavam cabos de electricidade, inclusive carregavam peças de uma barragem hidroeléctrica num caminhão.

Para os arménios, é impossível que os azeris vivam nas suas casas, explica à AFP Gaguik Iakshibekian, um pedreiro de 53 anos: "Por isso, queimam (casas), cortam árvores, e as pessoas levam tudo".

O acordo de cessar-fogo terminou com os combates, assinado quando a situação militar da Arménia era catastrófica, consagra a vitória do Azerbaijão e reafirma as conquistas territoriais, passadas seis semanas de confrontos que vitimaram milhares de pessoas.

Este pacto permite, porém, que Nagorno-Karabakh subsista e prevê o envio de 2.000 soldados russos para a manutenção da paz.

P Presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com Ilham Aliev e com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, para, segundo o Kremlin, abordar "as modalidades de trabalho dos soldados da paz russos".

O presidente russo conversou ainda com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, com quem comentou a "criação de um centro de controlo deste cessar-fogo" conjunto.

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