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Liberdade de imprensa

RSF: a liberdade dos jornalistas regrediu durante a crise sanitária

Ibraimo Abu Mbaruco, jornalista e locutor da rádio comunitária de Palma, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, faz parte dos 4 jornalistas cujo desaparecimento foi registado pela RSF.
Ibraimo Abu Mbaruco, jornalista e locutor da rádio comunitária de Palma, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, faz parte dos 4 jornalistas cujo desaparecimento foi registado pela RSF. © MISA-Moçambique
Texto por: RFI
5 min

No seu relatório anual publicado esta segunda-feira, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) refere que a nível mundial, 387 jornalistas se encontram actualmente presos. Este documento dá igualmente conta do aumento das detenções arbitrárias em elo com a cobertura da crise sanitária.

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De acordo com o relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras, dos cerca de 400 jornalistas mantidos actualmente em detenção, 61% estão repartidos em 5 países. Em primeiro lugar está a China, onde 117 jornalistas foram presos este ano, em seguida, a Arábia Saudita, com 34 jornalistas detidos, o Egipto, com 30, o Vietname com 28 e a Síria com 27 jornalistas presos.

Ao considerar que estes dados são “historicamente altos”, a ONG nota que as mulheres, "cada vez mais numerosas na profissão, não são poupadas", uma vez que segundo o documento, 42 delas "se encontram actualmente privadas de liberdade", o que representa um aumento de 35% de detenções de mulheres jornalistas em comparação com o ano passado em que se constatou a detenção de 31 colegas.

Neste relatório, a RSF dá também conta de um aumento significativo das violações à liberdade de imprensa desde o início da pandemia. A ONG recenseou ao todo "300 incidentes em elo com a cobertura jornalística da crise sanitária entre o dia 1 de Fevereiro e o dia 30 de Novembro de 2020”. Estes incidentes que envolveram um total de 450 jornalistas, traduziram-se em mais de um terço dos casos em prisões arbitrárias. Apesar de nem todos os jornalistas continuarem neste momento atrás das grades, a RSF indica todavia que alguns continuam detidos devido à sua tentativa de informar sobre a pandemia.

"Leis de excepção ou medidas de emergência adoptadas" na maioria dos países para conter a pandemia "contribuíram" para "confinar a informação", considera a RSF ao observar que 14 jornalistas permanecem presos neste momento pela sua cobertura da crise sanitária, metade deles na China, cujas autoridades "censuraram em larga escala as críticas à sua gestão da crise da saúde nas redes sociais".

Outro fenómeno que continua de actualidade segundo a RSF, os jornalistas reféns. De acordo com a ONG, 54 jornalistas são mantidos reféns na Síria, Iémen e Iraque, o que traduz uma diminuição sensível e 5% em relação ao ano passado. A Repórteres Sem Fronteiras deu igualmente conta do desaparecimento de 4 jornalistas este ano, uma jornalista na América Latina, um colega no Oriente Médio e dois na África Subsaariana, entre eles Ibraimo Mbaruco, jornalista da rádio comunitária de Palma, no norte de Moçambique, desaparecido desde o dia 7 de Abril, sem que até ao momento se saiba o que sucedeu.

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