Julian Assange/Extradição

Reino Unido rejeita extradição de Julian Assange para os Estados Unidos

Justiça britânica decidiu a 4 de janeiro de 2020 que Julian Assange, fundador da plataforma WikiLeaks, não será extraditado para os Estados Unidos, que o acusam de espionagem.
Justiça britânica decidiu a 4 de janeiro de 2020 que Julian Assange, fundador da plataforma WikiLeaks, não será extraditado para os Estados Unidos, que o acusam de espionagem. Daniel Leal-Olivas AFP/Archivos

A justiça britânica rejeitou esta segunda-feira, 4 de janeiro por risco de suicídio, o pedido de extradição do fundador da WikiLeaks, Julian Assange para os Estados Unidos, onde é acusado de espionagem pela divulgação a partir de 2010 de centenas de milhares de documentos confidenciais, o que é passível de até 175 anos de prisão.

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A notícia foi avançada nesta segunda-feira, 4 de janeiro, pela juíza Vanessa Baraitser no tribunal criminal de Old Baley, em Londres, que estimou que o "processo penal descrito pelos Estados Unidos não vai impedi-lo de se suicidar... por razões de saúde mental" em caso de extradição para os Estados Unidos, onde ele é passível de ser condenado de 30 a 175 anos de prisão, segundo os seus advogados.

Com efeito, antes do pronunciamento, a justiça britânica afirmou que examinava de maneira detalhada a solicitação americana, para se certificar que o pedido era compatível com os direitos humanos.

A juíza Vanessa Baraitser admitiu que Julian Assange tinha antecedentes de depressão e tendências suicidárias

A notícia foi saudada com regozijo e alegria pelo lançador de alerta americano Edward Snowden, as ongs Repórteres sem FronteirasAmnistia Internacional, que no entanto denuncia a "cumplicidade do Reino Unido com os Estados Unidos num processo com motivações políticas, que julga a liberdade de imprensa e de expressão"  e por cerca de 30 apoiantes de Assange frente ao tribunal de Old Baley que de punho erguido gritaram "Libertem Assange" e "Vencemos".

A 6 de janeiro, a justiça britânica vai pronunciar-se sobre a eventual libertação de Julian Assange, mas os Estados Unidos já anunciaram que vão recorrer da sentença, o que significa que Assange permanecerá em detenção provisória, mas que pode ser condicional, o que vai prolongar a saga judicial que desde 2010 envolve o cidadão australiano de 49 anos.

O fundador da plataforma WikiLeaks, publicou centenas de milhares de documentos confidenciais, que colocaram Washington em posição delicada e passou a ser considerado o principal inimigo público dos Estados Unidos, sendo um dos mais polémicos um vídeo no qual se veem helicópteros de combate americanos disparando contra civis no Iraque em 2007, um ataque que causou a morte de várias pessoas em Bagdad, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Ao todo foram revelados mais de 700.000 documentos secretos sobre as operações diplomáticas e militares dos Estados Unidos, designadamente no Afeganistão e no Iraque, revelando actos de tortura, mortes de civis e outros abusos de direitos humanos.

A 28 de novembro de 2010, a WikiLeaks também divulgou com a colaboração de grandes jornais como o New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde, ou ainda El País, mais de 250.000 documentos secretos da diplomacia norte-americana, o que transformou Julian Assange num dos principais inimigos públicos de Washington. 

Os defensores de Assange consideram que este caso é meramente político e constitui um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa.

Julian Assange não será extraditado para os Estados Unidos

Pandemia da Covid-19 atrasou as audiências

As audiências começaram em setembro, com meses de atraso devido à pandemia da Covid-19 e o processo foi marcado por manifestações à porta do tribunal, exigindo a libertação de Julian Assange.

Alegando temer que Assange, cuja saúde física e mental está debilitada, se suicide, a sua companheira, advogada e mãe de dois filhos, Stella Moris entregou em setembro ao gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, uma petição com 800 mil assinaturas contra a sua extradição

Desde abril de 2019, o australiano está na cadeia de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, depois de ter sido detido na embaixada do Equador na capital britânica, onde permaneceu refugiado durante sete anos

Os Estados Unidos acusam Julian Assange de ter conspirado com Chelsea Manning, antiga analista militar do exército norte-americano, para divulgar a partir de 2010 mais de 700.000 documentos confidenciais

Washington, onde Julian Assange pode ser condenado a entre 30 e 175 anos de prisão, alega que ele colocou em perigo as vidas dos informadores dos serviços secretos norte-americanos ao publicar centenas de milhares de documentos secretos sobre as ações militares americanas no Iraque e Afeganistão, que revelaram actos de tortura, mortes de civis e outros abusos.

A defesa do fundador do Wikileaks denuncia que depois da atitude agressiva do governo de Barack Obama, a tentativa de extradição operada pelo presidente Donald Trump, pretendia transformá-lo num "castigo exemplar" na sua "guerra contra os jornalistas de investigação" e que Assange não teria um julgamento justo nos Estados Unidos, aguardando-se agora a posição da administração de Joe Biden.

 

 

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