Ásia Central

OSCE emite críticas às eleições no Cazaquistão e no Quirguistão

O novo presidente eleito do Quirguistão Sadyr Japarov e a sua esposa Aigul ontem, dia 10 de Janeiro de 2021.
O novo presidente eleito do Quirguistão Sadyr Japarov e a sua esposa Aigul ontem, dia 10 de Janeiro de 2021. REUTERS - VLADIMIR PIROGOV

Os observadores internacionais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa -OSCE- emitiram críticas quanto à equidade das presidenciais organizadas ontem no Quirguistão, onde venceu o candidato populista Sadyr Japarov, a OSCE tendo igualmente expressado o seu cepticismo relativamente à forma como decorreram as legislativas igualmente este domingo no vizinho Cazaquistão, onde venceu o partido no poder, na ausência de uma real oposição.

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"Como todos os partidos políticos que participaram nas eleições apoiaram as medidas do partido no poder, a campanha não chegou a ser uma competição e os eleitores não tiveram a oportunidade de escolher uma real alternativa política". Foi o que considerou a OSCE em comunicado referindo-se às legislativas de ontem no Cazaquistão em que, sem surpresas, o partido no poder, Nour Otan, venceu com mais de 70% dos votos, segundo resultados preliminares.

Apesar da participação de algumas outras formações, o principal partido de oposição apelou ao boicote do escrutínio neste país onde, de acordo com a OSCE, “as restrições às liberdades de associação, reunião e expressão tiveram um impacto negativo sobre a campanha eleitoral”.

Embora o presidente do Cazaquistão Kassym-Jomart Tokayev tenha formulado promessas de reformas democráticas há dois anos quando chegou ao poder, a OSCE considera que as suas recomendações neste sentido não foram totalmente seguidas neste país onde nenhuma eleição chegou alguma vez a ser reconhecida como sendo justa pelos observadores ocidentais.

Também no vizinho Quirguistão onde decorreram ontem presidenciais marcadas pela vitória do candidato populista Sadyr Japarov com cerca de 80% dos votos, a OSCE notou a falta de "igualdade de condições" entre os candidatos.

Na óptica desta organização de cooperação europeia, “se o Quirguistão deseja viver de acordo com as aspirações democráticas do seu povo, é essencial que as condições de equidade sejam as mesmas para todos. Tal não foi o caso aqui”, a OSCE ressalvando todavia que “a eleição foi bem organizada”.

Refira-se que o presidente eleito ontem, Sadyr Japarov, que ainda há alguns meses estava a cumprir uma pena de prisão por captura de reféns, tornou-se chefe interino do poder no passado mês de Outubro após ter sido libertado pelos seus apoiantes durante um dos muitos sobressaltos da vida política do Quirguistão.

Perante o candidato populista, apenas sobressaiu o líder nacionalista Adakhan Madoumarov que segundo a Comissão Eleitoral obteve menos de 7% dos votos e que, desde já, disse não reconhecer os resultados.

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