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Estados Unidos / Cuba

EUA tornam a colocar Cuba entre os países que apoiam o terrorismo

Mike Pompeo faz parte dos "falcões" da administração cessante de Donald Trump.
Mike Pompeo faz parte dos "falcões" da administração cessante de Donald Trump. The Washington Post via Getty Im - The Washington Post
Texto por: Liliana Henriques
4 min

A nove dias da tomada de posse do Presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, a administração do Presidente cessante, Donald Trump, anunciou na noite de ontem ter voltado a colocar Cuba na lista negra dos países que apoiam o terrorismo, lista da qual a ilha caribenha tinha sido retirada em 2015 pela administração Obama. Com esta decisão, Trump poderia dificultar o restabelecimento de relações serenas entre os Estados Unidos e Cuba desejada pelo futuro Presidente Biden.

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Ao acusar Cuba de “ter repetidamente apoiado o terrorismo no hemisfério ocidental”, o chefe da diplomacia americana Mike Pompeo anunciou que “com esta medida, volta-se a responsabilizar o governo de Cuba e envia-se uma mensagem clara: o regime de Castro deve acabar com seu apoio ao terrorismo internacional e a subversão da justiça americana”.

“Falcão” da administração americana e um dos últimos fiéis colaboradores de Donald Trump, Pompeo acusa o regime cubano de ter nomeadamente "alimentado, albergado e cuidado durante anos de assassinos, artífices e piratas enquanto muitos cubanos precisavam de comida, abrigo e medicamentos básicos".

Para justificar esta decisão, Mike Pompeo referiu-se à recusa de Havana em extraditar dez membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) para a Colômbia após o atentado de Janeiro de 2019, reivindicado pelo grupo, contra a escola de cadetes de Bogotá, que causou a morte de 22 pessoas.

“Cuba também dá as boas-vindas a vários americanos em fuga da justiça, procurados ou acusados de violência política”, indicou ainda o comunicado de Mike Pompeo referindo-se à recusa de Cuba de também entregar fugitivos americanos a quem concedeu asilo, nomeadamente um militante negro condenado pela morte de um militar nos anos 70.

Reagindo a este anúncio, o seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez denunciou o que qualificou de “oportunismo politico” por parte da administração Trump. “Condenamos a designação cínica e hipócrita de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo anunciada pelos Estados Unidos da América. O oportunismo político desta acção é reconhecido por todos os que estão realmente preocupados com o flagelo do terrorismo e as suas vítimas”, escreveu no Twitter o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros.

Com esta decisão da administração Trump, Cuba volta a integrar o grupo de países como o Irão, a Coreia do Norte e a Síria acusados de apadrinhar o terrorismo internacional, lista negra da qual a ilha tinha sido removida em 2015 pelo Presidente Obama que foi em 2016 o primeiro chefe de Estado americano a efectuar uma visita a Cuba desde a revolução castrista em 1959.

Na altura, este primeiro passo dos Estados Unidos tinha suscitado a esperança numa melhoria das relações entre este país e Cuba.

Contudo, durante os quatro anos do seu mandato, o sucessor de Obama voltou atrás na flexibilização do embargo imposto a Cuba desde 1962 e tornou a impor restrições sobre transferências de dinheiro e viagens entre os dois países.

Vice-presidente aquando da reaproximação entre Washington e Havana, Joe Biden não escondeu durante a sua campanha eleitoral o desejo de actuar rapidamente para reverter esta situação.

Com o anúncio da administração cessante de tornar a colocar Cuba na lista negra dos países que apoiam o terrorismo, não só se desfaz um pouco mais o legado da presidência Obama, como também se complica a acção futura de Joe Biden.

Com efeito, para voltar atrás nesta decisão, a futura administração americana deverá encetar um longo e complexo processo legal, implicando a necessidade para o Departamento de Estado de demonstrar que Cuba não teve elos com acções terroristas nos últimos seis meses.

 

 

 

 

 

 

 

 

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