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Estados Unidos

EUA: Câmara dos Representantes aprova destituição de Trump

Presidente norte-americano, Donald Trump, alvo de dois ‘impeachments’ pela Câmara dos Representantes.
Presidente norte-americano, Donald Trump, alvo de dois ‘impeachments’ pela Câmara dos Representantes. AP - Gerald Herbert
Texto por: RFI
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Vídeo por: Cristiana Soares
7 min

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América aprovou a instauração de um processo de destituição a Donald Trump, acusado de ter incitado o ataque ao Capitólio a 6 de janeiro, abrindo caminho a um segundo julgamento histórico do Presidente dos Estados Unidos.

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Ao mesmo tempo em que se prepara para deixar a Casa Branca, Donald Trump tornou-se no primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser alvo de dois ‘impeachments’ pela Câmara dos Representantes.

Um ano depois do caso “ucraniano”, o bilionário republicano de 74 anos, que cede o lugar a Joe Biden no próximo dia 20, é acusado de ter incitado um ataque ao Capitólio, um incidente que provocou a morte a cinco pessoas e abalou a democracia americana.

A impugnação foi aprovada com 232 votos a favor, incluindo de 10 republicanos, e 197 contra, um acto inédito na opinião da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

"Hoje e de forma bipartidária, a Câmara mostrou que ninguém está acima da lei, nem mesmo o Presidente", anunciou Nancy Pelosi, antes de assinar a acusação de Donald Trump.

"Sabemos que defrontamos inimigos da Constituição, sabemos que fomos confrontados a uma insurreição, que violou o santuário do povo e que tentou inverter a vontade devidamente registada do povo americano. E sabemos que o Presidente dos Estados Unidos incitou essa insurreição, essa rebelião armada contra o nosso país. Ele deve partir, ele representa um perigo claro e imediato para a nação que todos amamos. O Presidente deve ser acusado e creio que deve ser condenado pelo Senado, um recurso constitucional que garantirá que a República se verá livre deste homem, que foi tão resolutamente determinado em destruir os valores que defendemos aqui e que nos mantêm unidos".

Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara dos Representantes

Donald Trump apela à calma

Donald Trump não comentou a sua acusação, mas lançou um veemente apelo à calma aos seus apoiantes.

"Quero ser muito claro: condeno inequivocamente a violência que testemunhamos na semana passada. A violência e o vandalismo não têm absolutamente nenhum lugar no nosso país, nem no nosso partido. Devolver a grandeza à América significa defender o estado de direito, apoiar os homens e mulheres das forças da ordem e defender os valores e tradições mais sagrados da nossa nação. A violência colectiva vai contra tudo o que eu penso e tudo o que eu defendo no seio do nosso partido, nenhum verdadeiro apoiante meu pode em nenhuma circunstância apoiar a violência política, nenhum pode faltar ao respeito em relação às forças da ordem ou à nossa grande bandeira americana. Nenhum verdadeiro apoiante meu pode ameaçar ou assediar os seus co-cidadãos americanos. Se vocês fizerem uma dessas coisas, não apoiam o nosso movimento. Atacam-no e atacam o nosso país". 

Donald Trump, presidente americano

Senado será a próxima etapa

A próxima etapa será no Senado. Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, disse ontem que não convocará a câmara alta norte-americana antes de 19 de Janeiro. Contudo, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, anunciou que vai tentar que seja admitida a invocação de urgência do artigo de destituição, para que o julgamento político possa começar ainda esta semana.

Para Donald Trump ser considerado culpado, serão necessários os votos de 17 senadores republicanos. Se o Senado aprovar a destituição de Trump, o Presidente perde os poderes no imediato, sendo substituído pelo vice-Presidente, MiKe Pence, até à tomada de posse de Joe Biden, e fica impedido de voltar a recandidatar-se a um novo mandato presidencial.

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