Portugal

Portugal encerra estabelecimentos de ensino nos próximos quinze dias

O governo português decidiu encerrar todos os estabelecimentos de ensino, com efeitos a partir de sexta-feira.
O governo português decidiu encerrar todos os estabelecimentos de ensino, com efeitos a partir de sexta-feira. © lusa
Texto por: Lígia ANJOS
7 min

Esta quinta-feira foi um dia decisivo para o combate à pandemia em Portugal, o Conselho de Ministros esteve reunido para decidir um reforço de medidas. 

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O primeiro-ministro português, António Costa, anunciou esta quinta-feira o encerramento das escolas de todos os níveis de ensino nos próximos 15 dias, para tentar travar os contágios pelo novo coronavírus. As medidas entram em vigor esta sexta-feira, 22 de Janeiro.

"Apesar do esforço extraordinário para funcionar o ensino presencial, face à nova estirpe, manda o princípio da precaução que procedamos à interrupção de todas as actividades lectivas durante os próximos 15 dias. [Interrupção será] devidamente compensada no calendário escolar da forma que o ministro da Educação irá ajustar", anunciou o primeiro-ministro António Costa.

O encerramento de todos os níveis de ensino vai ser depois compensado com dias de outros períodos de descanso previstos no calendário escolar.

Alexandra é professora no Porto, no 1º ciclo escolar e garante que os problemas não acontecem no interior dos estabelecimentos de ensino. "As escolas conseguem cumprir as normas sanitárias do portão para o interior das escolas. Em termos de educação pré-escolar e primeiro ciclo, conseguimos controlar a situação porque os alunos são deixados pelos pais e não há contactos antes de entrar na escola. Dentro da escola tudo funciona por bolhas. O problema não existe dentro das escolas, mas do portão da escola para fora", lembra a docente.

Nestas próximas semanas vão "acentuar-se desigualdades, neste momento é uma questão de prioridades. Por muito que se perca na aprendizagem, não há solução possível a não ser a de interromper possível cadeias de contágio. Primeiro a saúde dos professores, dos alunos e famílias", lembra.

Neste período  não vai haver ensino à distância como aconteceu no primeiro confinamento, em Março, Abril e Maio.

O executivo português justificou de fechar escolas por causa da nova estirpe do coronavírus primeiramente identificada no Reino Unido, que é mais transmissível. Estima-se que Portugal tenha 30 mil casos da variante britânica.

"Sinto que estamos muito próximos do limite e que há situações em que estamos no limite", referiu na quarta-feira a ministra da Saúde, sublinhando que a situação dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo é "muitíssimo complexa, em que os meios são reutilizados e reinventados e o esforço humano é redobrado".

Nas últimas 24 horas, o número de novos casos de Covid-19 voltou a aumentar em Portugal. O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, considera "insustentável a situação sanitária no país".

Portugal tem eleições presidenciais marcadas para domingo, 24 de Janeiro, "mobilizar milhões de pessoas que vão votar neste contexto actual é um risco acrescido. Houvesse alternativas a isto poderiam ter sido úteis no sentido da protecção das populações", aponta Ricardo Mexia.

Presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia

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