Portugal

O mito de uma pandemia democrática

Euprémio Scapra, no bairro da Ameixoeira.
Euprémio Scapra, no bairro da Ameixoeira. © RFI/ Lígia Anjos
Texto por: Lígia ANJOS
15 min

Nenhum país, por mais poder que tenha, conseguiu fechar as portas ao coronavírus. Apesar do vírus parecer mostrar a vulnerabilidade de todos, torna-se hoje evidente que ele ataca de maneira mais feroz os mais pobres, acentuando as disparidades e desigualdades já existentes.

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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus levou ao aumento das desigualdades sociais, que passam tanto pela dificuldade de acesso a aulas à distância como pela impossibilidade de um isolamento profilático quando as habitações ou profissões não o permitem.

Foi neste contexto de pandemia que fomos ao encontro de Euprémio Scarpa, que encontrámos à saída do metro e nos levou até ao bairro social da Ameixoeira, em Lisboa.

Durante a nossa visita, encontrámos Sek, um morador de origem guineense deste bairro da Ameixoeira. De cadeira de rodas, Sek faz parte da "Associação Esperança e Direitos Iguais", uma associação que tem por objectivo, a promoção das acessibilidades de pessoas com mobilidade reduzida.

Ao enfrentar as dificuldades do dia-a-dia, Sek considera que "o seu maior motor é a força de vontade". Enquanto aguarda o regresso à normalidade, Sek considera que "o acto de votar é uma forma de combater esta pandemia".

Feita a visita ao bairro social, foi no Centro de Desenvolvimento Comunitário da Ameixoeira que continuámos a nossa conversa com o educador social, Euprémio Scarpa.

Euprémio confronta-se muitas vezes com comentários de estigmatização da comunidade. A esta crise, acresce uma série de outras crises e problemas sociais. Durante a primeira vaga de Covid-19, a freguesia se Santa Clara, foi a única de Lisboa que permaneceu até julho em estado de calamidade.

Rapidamente, os habitantes do bairro levantaram uma cadeia de solidariedade, através de um grupo comunitário. O fecho das escolas também acentuou desigualdades, como aconteceu em todo o país, e muitas escolas continuaram a servir refeições em take away, a única refeição para alguns alunos.

Este domingo, 24 de Janeiro, os portugueses são chamados a votar, "há momentos em que é preciso votar", defende o educador.

Foi por telefone que contactámos Ana Fernandes, agente social na dinâmica comunitária, cujas condições de trabalho mudaram desde o início da pandemia. A crise sanitária veio dar maior visibilidade às realidades mais desprotegidas, a dificuldade do isolamento profilático não é igual para todos.

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