Portugal

Presidenciais portuguesas: os discursos dos sete candidatos

Discurso dos sete candidatos presidenciais
Discurso dos sete candidatos presidenciais © RFI
Texto por: Lígia ANJOS
6 min

Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições com 60,7%. Seguem-se Ana Gomes 12,9% e André Ventura 11,9%. João Ferreira conquista 4,32% dos votos, Marisa Matias 3,95%, Tiago Mayan 3,22% e Vitorino Silva com 2,94%.

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Marcelo Rebelo de Sousa: "a confiança renovada é tudo menos um cheque em branco"

O Presidente reeleito começou por enumerar as vítimas da Covid-19 das últimas 24 horas, os números negros da pandemia.

"São com os demais que sofreram e sofrem e lutam dia após dia pela vida e a saúde o retrato de Portugal em que decorreu esta eleição, em plena pandemia agravada em Janeiro. Com estado de emergência e confinamento inevitável, queda de crescimento e projecção na pobreza e nas desigualdades", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa quer ser Presidente que estabilize e que não seja dos “bons” contra os “maus”. Para o Presidente reeleito, “a eleição de hoje proporcionou inequívocas respostas acerca do nosso futuro imediato”.

“Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. Quem recebe o mandato tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses. Um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus. Que não seja um Presidente de facção”, afirmou.

Ana Gomes: "A responsabilidade de falhar o objectivo é só minha"

A candidata independente, Ana Gomes, começou por felicitar a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, garantiu estar empenhada para que o segundo mandato garanta "reforçar a democracia e não dar mais argumentos e respaldo aos que a querem destruir e conseguiram retirar tantos votos ao PSD e ao CDS".

A candidata agradece a todos os que estiveram nas mesas de voto do país e expressa solidariedade para com as vítimas da Covid-19. Ana Gomes destaca ainda que foi possível impedir que "a outra direita ascendesse como alternativa" e que, sem a sua candidatura, "estaríamos todos a lamentar ainda mais o crescimento da extrema-direita". 

Quanto à abstenção, Ana Gomes defendeu que o elevado nível não pode ser apenas atribuído à pandemia. 

Lamentou a "comparência, a estas eleições, do meu partido, o PS, que assim ajudou a garantir a vitória do candidato da direita democrática. Foi uma deserção para a qual muito avisei. António Costa foi o principal responsável pela deserção do PS nestas presidenciais", apontou a candidata.

André Ventura descreve uma "noite histórica" de força "anti-sistema"

André Ventura começou por felicitar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente de Portugal, para um segundo mandato. "Esta é uma noite histórica, em que a direita em Portugal se reconfigurou completamente. Pela primeira vez um partido declaradamente anti-sistema rompeu o espectro da direita tradicional. Há um dado que devemos realçar: esmagámos a extrema-esquerda em Portugal", afirmou.

André Ventura afirmou que "não haverá Governo de direita em Portugal sem nós" e, repetindo o discurso, voltou a sublinhar as vitórias sobre a esquerda nestas eleições presidenciais.

Maria Matias: "Não os resultados que esperávamos, que esperei"

Marisa Matias foi a primeira a reagir aos resultados. A candidata do Bloco de Esquerda felicitou Marcelo Rebelo de Sousa e falou com Ana Gomes.

A candidata presidencial lembrou que "estas eleições aconteceram num cenário incomparável por se tratar de uma reeleição de um candidato, pela crise pandémica e social e ainda pelo país  pela primeira vez a enfrentar uma crescente da extrema-direita".

A eurodeputada agradeceu à sua base de apoio e lembrou que os portugueses "precisam de um país solidário que não aceite a crise e a divisão como política. Terá de respeitar quem vive do seu trabalho e combater a precariedade, devolvendo a esperança às gerações mais jovens, que têm sido as mais sacrificadas em todas as crises. Um país que leve a dignidade a sério. Um país que terá de cuidar dos mais frágeis e aqueles e aquelas que os cuidam. Não podemos resignar-nos ao abandono", afirmou.

João Ferreira: "Esta candidatura trouxe um contributo singular"

O candidato presidencial João Ferreira, destacou o exemplo cívico dos membros das mesas de voto em todo o país, que permitiram uma eleição em segurança.

O candidato do PCP disse estar "profundamente convencido de que esta candidatura trouxe um contributo singular", defende: o de confirmar a "centralidade e importância" da Constituição, defendendo a democracia.

"Chegamos aqui ainda mais firmes e empenhados na defesa da democracia", garantiu João Ferreira, que referiu ainda a vontade de "derrotar projectos anti-democráticos".

Tiago Mayan Gonçalves: "houve um crescimento da onda liberal"

Tiago Mayan Gonçalves, candidato da Iniciativa Liberal, admitiu que foi uma corrida "bonita e que valeu a pena". "Os números desta noite sinalizam o crescimento da onda liberal. O extremismo, seja ele qual for ou de onde venha, não vencerá e não será também alternativa ao socialismo, que também temos de combater", acrescentou.

Esta segunda-feira voltará à vida como cidadão e deixa a mensagem de que "vale sempre a pena lutarmos, livres e com coragem, por aquilo em que acreditamos".

Vitorino Silva convida Marcelo para visitar Rans

Vitorino Silva já ligou a Marcelo Rebelo de Sousa, que ficou à frente de Tino em Rans. O candidato do partido RIR fez um convite ao Presidente reeleito para visitar a sua terra Natal.

"Se ele me estiver a ouvir, o convite está feito. Desta vez ele ganhou em Rans e aqui nunca veio nenhum rei nem nenhum Presidente da República. O povo de Rans merece. A luta foi desigual porque desta vez concorri contra o Presidente da República que esteve cinco anos a fazer campanha", afirmou Vitorino Silva.

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