Arábia Saudita

Libertação da activista saudita dos Direitos Humanos Loujain al-Hathloul

Rosto de Loujain al-Hathloul durante uma video-chamada com uma das irmãs, logo depois da sua libertação nesta quarta-feira 10 de Fevereiro.
Rosto de Loujain al-Hathloul durante uma video-chamada com uma das irmãs, logo depois da sua libertação nesta quarta-feira 10 de Fevereiro. Fayez Nureldine AFP
Texto por: RFI
5 min

A activista saudita de Direitos Humanos Loujain al-Hathloul foi libertada ontem após quase três anos de prisão, anunciou ontem à noite a sua família. Nestes últimos anos, esta jovem de 31 anos que luta pela emancipação das mulheres sauditas tornou-se um rosto emblemático da repressão no seu país.

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Detida desde 2018, ela tinha sido condenada no final do passado mês de Dezembro a cinco anos e oito meses de prisão com dois anos e dez meses de pena suspensa, uma sentença que tomava em consideração o período de prisão provisória, o que permitiu a sua saída de prisão nesta quarta-feira.

Considerada culpada de "várias actividades proibidas pela lei antiterrorismo", Loujain al-Hathloul foi detida em Maio de 2018 devido ao seu activismo nas redes sociais, nomeadamente a favor do direito das mulheres conduzirem, uma medida que acabou por entrar em vigor em Junho de 2018, oficialmente apenas e só sob o impulso do príncipe herdeiro do trono saudita, Mohamed Ben Salman, 'MBS'.

A libertação da activista coincide sensivelmente com a chegada ao poder nos Estados Unidos de Joe Biden que, contrariamente ao seu antecessor, refere colocar a questão dos Direitos Humanos no centro da sua politica externa. Sinal de que os Estados Unidos de Biden podem não pretender mais ser um aliado incondicional da Arábia Saudita, a nova administração anunciou na semana passada que não iria mais apoiar a operação militar dirigida por Riade no Iémen, de onde chegam relatos de exacções de toda a ordem que causaram uma das piores crises humanitárias do planeta.

Neste contexto, a libertação ontem de Loujain al-Hathloul surge como sendo "a coisa certa a fazer", segundo uma reacção ontem de Joe Biden. Em França, o presidente Macron que já tinha apelado para a sua libertação em 2019, também saudou este desfecho. "Loujain passou por uma provação monstruosa, nunca deveria ter sido presa", declarou por sua vez Adam Coogle, da Human Rights Watch.

Entretanto, apesar de ter sido solta, isto não significa que Loujain Al-Hathloul é totalmente livre nas suas acções. Durante cinco anos, não pode sair da Arábia Saudita e observadores consideram pouco provável que se atreva a falar publicamente, sob pena de regressar imediatamente para o cativeiro onde, soube-se em Novembro de 2018, foi submetida a chicotadas, choques eléctricos e ameaças de violação, à semelhança do que tem sucedido com outras militantes feministas que foram presas na mesma altura.

As detenções das vozes 'dissonantes' do reino, o brutal assassinato em Outubro de 2018 do jornalista saudita Jamal Khashoggi em Istambul alegadamente a mando de MBS, assim como o boicote decidido em 2017 contra o Qatar, eclipsaram na cena internacional as reformas conduzidas pelo príncipe herdeiro no intuito de oferecer uma imagem moderna do seu país, condição sine qua non para atrair investimentos estrangeiros.

A soltura de Loujain al-Hathloul não faz contudo esquecer à ONG saudita de defesa dos direitos humanos Al-Qst, que numerosas outras militantes feministas, como Samar Badawi e Nassima Al-Sada, ainda permanecem atrás das grades na Arábia Saudita.

 

Tido como o rei , de  facto, da  Arábia  Saudita, o príncipe herdeiro  Mohammed Ben  Salman, é  o adepto da  linha  dura   que  resultou  na  detenção de  académicos, clérigos , jornalistas, assim   como membros proeminentes  da  família  real saudita.

Depois  da libertação  de  Loujain al-Hathloul, na  quarta-feira, deverão ser soltos também os dissidentes  Walid  Fitaihi, Salah al -Haider, o saudita-americano  Bader al-Ibrahim, bem  como  Ali al-Nimr , Dawood al-Marhoon e  Abdullah al- Zaher.

Estes três últimos activistas, membros  da minoria xiita saudita  foram presos ainda menores, em 2012, acusados  de  terrorismo após terem articipado em protestos durante as manifestaçéoes da Primavera Árabe.

Segundo anunciou domingo passado a  Comissão de Direitos Humanos da Arábia Saudita, as penas de morte decretadas contra al-Nimr, al-Marhoon  e al-Zaher, foram comutadas para dez anos  de prisão. 

Walid Fitaihi, que  tinha  fundado um importante hospital na cidade de Jeddah, situada  na  região do Mar Vermelho,  foi libertado em meados  de 2019, após  dois anos  de prisão.

Contudo , Fitaihi  de 56 anos, formado em medicina pela universidade norte-americana  de Harvard,  foi condenado, em Dezembro último, à  seis  anos  de prisão, nomeadamente por ,de  acordo com a justiça saudita, ter obtido a cidadania dos Estados Unidos sem autorização oficial  e  apoiado a  Primavera  Árabe por  intermédio das redes  sociais.  

 

 

 

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