Myanmar

Ex-líder birmanesa Aung San Suu Kyi indiciada pela segunda vez

Aung San Suu Kyi tem estado presa desde o dia 1 de Fevereiro, altura do golpe militar.
Aung San Suu Kyi tem estado presa desde o dia 1 de Fevereiro, altura do golpe militar. STR AFP
Texto por: Liliana Henriques
3 min

Esta Terça-feira, a chefe deposta do governo do Myanmar, Aung San Suu Kyi, foi formalmente acusada de "ter violado a lei sobre a gestão de desastres naturais", segundo indicou o seu advogado, Khin Maung Zaw. A titular do Prémio Nobel da Paz de 1991 que, há duas semanas, foi acusada de violar a lei de importação por ter alegadamente adquirido material electrónico à margem da lei, encontra-se detida desde o golpe de Estado militar, dia 1 de Fevereiro, mas segundo o seu partido estaria de “boa saúde".

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“Mantemos Aung San Suu Kyi e o ex-presidente Win Myint num lugar mais seguro para garantir a sua segurança. Eles encontram-se com boa saúde. Não é como se eles tivessem sido presos. Eles estão em casa”, indicou hoje o vice-ministro da Informação, Zaw Min Tun, referindo-se à detenção desde há duas semanas dos ex-dirigentes civis do Myanmar.

Palavras que não convencem. Antes mesmo da audiência hoje durante a qual a líder birmanesa acabou por fazer frente a uma nova acusação, Tom Andrews, relator especial da ONU, dava conta do seu cepticismo quanto ao seu eventual desfecho. "Não há nada de justo na junta. É teatro. É apenas teatro e, claro, ninguém acredita neles”, considerou o responsável.

De acordo com a Associação de Assistência a Presos Políticos, para além da líder deposta Aung San Suu Kyi e do presidente do Myanmar, cerca de 420 pessoas, responsáveis locais, deputados, membros da comissão eleitoral, activistas ou funcionários grevistas, foram presos nestas duas últimas semanas.

No terreno, os militares vão apertando cada vez mais o cerco à volta dos contestatários. Pela segunda noite consecutiva, registou-se um corte quase total da internet e continuam também as vagas de detenções.

Apesar da presença intimidante de blindados em algumas cidades do país, as manifestações de protesto contra o golpe continuam, mas com menos participantes do que há alguns dias atrás.

Há relatos de alguns incidentes ontem durante as manifestações. Em Naypyidaw, a capital politica, a polícia prendeu cerca de 20 estudantes, antes de libertar alguns.

Em Mandalay, segunda cidade do país, confrontos entre manifestantes e agentes das forças da ordem resultaram em pelo menos seis feridos, a polícia tendo disparado balas de borracha contra a multidão que ripostava lançando tijolos.

Refira-se ainda que para além da lei marcial e de outras restrições impostas nestes últimos dias no Myanmar, os militares autorizaram buscas sem mandado, assim como detenções provisórias sem necessidade da luz verde de um juiz.

Apesar das condenações internacionais e dos anúncios de sanções nomeadamente por parte dos Estados Unidos, o chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, já directamente responsabilizado pelos abusos cometidos contra a minoria muçulmana Rohingya em 2017, considera que os últimos acontecimentos na Birmânia são "um assunto interno".

 

 

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