#Myanmar/Repressão

EUA apelam à influência da China sobre Myanmar

4 de Março de 2021.
4 de Março de 2021. AFP - STR

Esta quarta-feira foi o dia mais sangrento em Myanmar, com a repressão a fazer pelo menos 38 mortos. Os Estados Unidos pediram à China para “utilizar a sua influência” junto dos generais birmaneses, enquanto a França pediu “o fim da repressão levada a cabo pelo exército”.

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Os manifestantes continuaram hoje a ir para as ruas, apesar de ontem ter sido o dia mais sangrento desde o golpe militar de 1 de Fevereiro em Myanmar. As forças de segurança abriram fogo durante os protestos contra o governo militar e mataram 38 pessoas, de acordo com a enviada especial da ONU para Myanmar, Christine Schraner Burgener. A responsável disse, também, que mais de 50 pessoas morreram desde que os militares derrubaram o governo de Aung San Suu Kyi.

A enviada da ONU disse mesmo que o “exército deve parar de assassinar” os manifestantes e acrescentou que os Estados-membros devem “tomar medidas muito fortes” porque responsáveis militares lhe disseram estarem habituados às sanções e já terem sobrevivido a sanções no passado.

Porém, a tomada de medidas no Conselho de Segurança está até agora a ser bloqueada pela China e pela Rússia, apoiantes do exército birmanês, que afirmam que se trata de um assunto interno.

O departamento de Estado norte-americano mostrou-se “horrorizado e revoltado” e pediu mesmo à China para “utilizar a sua influência” junto dos generais birmaneses.

Através de uma mensagem no Twitter, também na quarta-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, exigiu o fim da repressão levada a cabo pelo exército, pediu a libertação das pessoas detidas e o respeito pela escolha democrática do povo birmanês nas últimas eleições”. Macron concluiu dizendo: “Estamos ao vosso lado”.

De acordo com a ONU, mais de 1.700 pessoas foram detidas desde o golpe militar. O exército justificou o acto por contestar o resultado das eleições de Novembro ganhas massivamente pelo partido de Aung San Suu Kyi. Os militares prometeram uma nova eleição, mas não deram datas.

 

Repressão também no campo judicial

O ex-Presidente da República, Win Myint, que já tinha sido indiciado por alegadamente não ter respeitado as restrições ligadas à Covid-19, é agora acusado de ter violado a Constituição.

A ex-dirigente Aung San Suu Kyi, de 75 anos e que continua detida num local secreto, é alvo de quatro acusações, nomeadamente incitação à desordem pública, importação ilegal de aparelhos de comunicações, desrespeito pelas restrições sanitárias e violação de uma lei sobre as telecomunicações.

Seis jornalistas birmaneses - incluindo Thein Zaw, um fotógrafo da agência americana Associated Press detido no sábado em Rangun quando cobria um protesto pró-democracia - são acusados de violar uma lei emendada pela junta militar alguns dias depois do golpe de Estado e na tentativa de acabar com os protestos contra os golpistas.

Este artigo do código penal prevê penas de três anos de prisão contra quem tenha “provocado o medo na população, espalhado notícias falsas (...) e incitado funcionários do governo à desobediência civil”.

Desde o golpe militar, foram detidos 34 jornalistas e 19 continuam atrás das grades, de acordo com uma ONG de assistência aos presos políticos. Já a ONG Repórteres Sem Fronteiras, conta 26 detenções de jornalistas desde 1 de Fevereiro, 10 ainda presos.

 

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