Covid-19

Vacina Sputnik V: Rússia critica União Europeia

A vacina russa Sputnik V continua à espera de homologação da União Europeia.
A vacina russa Sputnik V continua à espera de homologação da União Europeia. AP - Alexander Zemlianichenko Jr

O presidente russo, Vladimir Putin, deve ser vacinado amanhã contra a Covid-19 e afirmou não forçar ninguém a fazer o que quer que seja, mas interrogar-se sobre os interesses defendidos por entidades europeias dixando a entender que os interesses dos cidadãos poderiam não estar a falar tão alto como os de empresas farmacêuticas. Putin comentava, assim, as declarações do comissário europeu do mercado interno, o francês Thierry Breton, para o qual a imunidade colectiva poderia ser alcançada em Julho no velho continente pelo que a União prescindiria da vacina russa Sputnik V. 

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Eis um excerto da alocução de Thierry Breton, comissário europeu para o mercado interno, em declarações ao canal televisivo TF1.

"A Sputnik V é mais uma vacina.

Aquilo com que contamos são 350 milhões de doses.

O que é muito complicado é obter o aumento da velocidade de fabrico.

Doravante isso já está a ocorrer.

Ou seja não só não precisamos da Sputnik V, nem de nenhuma outra vacina.

O que precisamos é que aquelas com que contamos sejam produzidas de forma massiva.

Os russos têm uma dificuldade enorme a produzir a Sputnik V, talvez seja necessário ajudá-los.

Isso é algo para vermos no segundo semestre do ano.

Nesse caso, porque não fornecer-lhes uma ou duas fábricas para o efeito ?

Mas, por enquanto, prioridade aos europeus, porque o meu objectivo é a 14 de Julho termos a possibilidade de atingirmos a imunidade ao nível do continente.

Esta é a recta final para lá chegarmos ! "

Thierry Breton, comissário europeu do mercado interno, 22/3/2021

A Hungria, a Eslováquia e a República checa, essas, não aguardaram sequer por um hipotético sinal verde de Bruxelas e, devido aos atrasos nas entregas das poucas vacinas disponíveis (3 actualmente na Euroopa: Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca) acabaram por encomendar aos russos da Sputnik V a dita vacina.

Por ora a Agência europeia de medicamentos está, porém, a analisar o dossier.

Enquanto os europeus parecem hesitar a revista científica The Lancet tinha confirmado no mês passado a eficácia da vacina russa.

A Rússia que, para além da Sputnik V, estaria já na posse de outras duas vacinas contra a Covid-19.

Já nesta segunda-feira o presidente russo, Vladimir Putin, falou ao telefone com o presidente do Conselho europeu, Charles Michel, tendo-se demonstrado agastado com a posição de Bruxelas em relação a Moscovo que qualificou como sendo "conflituosa".

O Kremlin, a meados deste mês, tinha insinuado que tanto Bruxelas como Washington faziam campanha junto de países terceiros, caso do Brasil, para que estes não utilizassem a vacina Sputnik V.

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