Myanmar

ONU: "risco sem precedentes de guerra civil no Myanmar"

Manifestação de protesto contra a Junta Militar em Rangum, no passado dia 28 de Março de 2021.
Manifestação de protesto contra a Junta Militar em Rangum, no passado dia 28 de Março de 2021. AP

Reunido ontem à noite de urgência, o Conselho de Segurança da ONU, uma vez mais não conseguiu ultrapassar as suas divisões relativamente à situação no Myanmar, apesar de a emissária da ONU para este país, Christine Burgener ter tecido advertências contra o risco de uma guerra civil.

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Os 15 membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas permaneceram divididos quanto à resposta a dar à crise vivenciada há dois meses no Myanmar, palco de um golpe militar no dia 1 de Fevereiro que derrubou o poder civil de Aung San Suu Kyi. A Grã-Bretanha que estendeu hoje as suas sanções a um segundo grupo empresarial pertencente ao exército, preconizou ontem juntamente com os Estados Unidos sanções da ONU contra a Junta Militar. Todavia a China, aliado tradicional do exército birmanês, rejeitou esta ideia limitando-se a apelar para "o retorno a uma transição democrática".

Uma indecisão que permanece apesar da própria emissária da ONU para o Myanmar, Christine Burgener, exortar a comunidade internacional a "encarar todos os meios ao seu dispor para evitar uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia".

Do terreno chegam relatos quotidianos de violência. Uma situação que levou grupos rebeldes que tinham concluído acordos de cessar-fogo com o exército a retomar as armas contra os militares. Segundo a Associação de Assistência aos Presos Políticos, mais de 530 pessoas foram mortas no espaço de dois meses. A Cruz Vermelha quanto a si dá conta de detenções injustificadas e intimidações contra médicos e socorristas, sendo que operadores de telecomunicações referem ter recebido ordens da Junta Militar para cortar o acesso à internet.

Entretanto, nesta quinta-feira, a líder do governo civil e Prémio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, compareceu perante a justiça por videoconferência. Conforme indicado pela sua defesa, ela é designadamente acusada de violação de segredos de Estado, em virtude de uma lei datando da época colonial. Ela incorre juntamente com os seus co-réus uma pena até 14 anos de prisão.

 

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