Israel

Benjamin Netanyahu novamente no banco dos réus

Benjamin Netanyahu juntamente com os seus advogados numa das salas do tribunal de Jerusalém, neste dia 5 de Abril de 2021.
Benjamin Netanyahu juntamente com os seus advogados numa das salas do tribunal de Jerusalém, neste dia 5 de Abril de 2021. VIA REUTERS - POOL

No âmbito do seu julgamento por corrupção que retomou nesta segunda-feira em Jerusalém, o Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu foi acusado de ter usado o seu poder "ilegitimamente" em proveito próprio, isto numa altura em que arrancaram também hoje as consultas pós-eleitorais com vista a formar um novo governo após as legislativas do passado dia 23 de Março em que o Likud, o partido do chefe do governo, chegou em primeiro lugar mas precisa de formar uma coligação.

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Primeiro chefe do executivo Israelita a enfrentar acusações criminais no decurso do seu mandato, "Bibi" , 71 anos dos quais 15 no poder, é acusado de corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos distintos, acusações que ele desmente. Presente neste julgamento apenas durante as declarações preliminares, Benjamin Netanyahu foi autorizado a deixar o tribunal antes de serem ouvidas as testemunhas.

De acordo com a procuradora Liat Ben-Ari, o Primeiro-ministro israelita "usou ilegitimamente o grande poder governamental que lhe é conferido, entre outras coisas, para pedir e obter vantagens injustificadas dos donos dos principais órgãos de comunicação social de Israel, para promover os seus interesses pessoais, nomeadamente quando ele pretendia ser reeleito". Este foi aliás o teor do primeiro testemunho ouvido hoje no tribunal. De acordo com Ilan Yehoshua, ex-director geral da página noticiosa Walla "é claro que esta página fazia o que o gabinete do primeiro-ministro lhe dizia para fazer", este órgão tendo sido nomeadamente incitado a publicar artigos contra os principais adversários políticos de Netanyahu, segundo afirma o seu antigo dirigente.

Apesar da gravidade das acusações que pesam sobre ele e apesar de ele ser cada vez mais contestado no seu cargo, o futuro político de Benjamin Netanyahu não parece estar ameaçado no imediato. Para além de ele só ser obrigado a demitir-se em caso de condenação, o jogo dos recursos judiciais -que pode durar anos- está a seu favor.

Além disto, o seu partido, o Likud, chegou em primeiro lugar nas legislativas do passado dia 23 de Março, tendo alcançado 30 dos 120 assentos parlamentares, o que coloca Netanyahu em boa posição para formar um novo governo, no âmbito das negociações neste sentido que arrancaram precisamente hoje.

Esta posição favorável não lhe garante contudo o sucesso. Ele não conseguirá formar governo apenas com os seus aliados habituais, com os quais não chega a alcançar o mínimo de 61 assentos para ter um executivo estável.

Alguns partidos poderão desempenhar o papel de árbitro entre o campo de "Bibi" e o campo centrista que pretende formar uma coligação anti-Netanyahu, nomeadamente o partido de extrema-direita Yamina que com os seus 7 deputados pode ser determinante. Noutro lado do xadrez político, o partido islamista Raam que elegeu 4 deputados também se declarou disposto a formar uma coligação, mas o partido de extrema-direita "Sionismo Religioso", aliado de Netanyahu, já rejeitou de antemão qualquer tipo de aliança com esta formação.

Os actores políticos israelitas têm agora 28 dias para encontrar um consenso, um prazo prorrogável por mais duas semanas, ao cabo das quais serão convocadas novas eleições, no caso de não ter sido formado governo. Israel, refira-se, acabou de ir às urnas pela quarta vez no espaço de menos de dois anos.

 

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