Bulgária/Eleições Legislativas

Bulgária: partido de Borissov sem maioria, instabilidade à vista ?

O partido GERB do primeiro-ministro Boyco Borissov sem maioria absoluta nas eleições legisltivas de 4 de abril, deverá estabelecer coligações designadamente com o partido Bulgária Democrática do animador de televisão Slavi Trifonov, que faz a sua entrada na cena política.
O partido GERB do primeiro-ministro Boyco Borissov sem maioria absoluta nas eleições legisltivas de 4 de abril, deverá estabelecer coligações designadamente com o partido Bulgária Democrática do animador de televisão Slavi Trifonov, que faz a sua entrada na cena política. © ©

Os resultados definitivos das eleições legislativas de domingo, 4 de abril, só deverão ser conhecidos na quinta-feira, 7 de abril, mas os dados provisórios dão uma pequena vitória com 26% ao partido conservador GERB do primeiro-ministro Boyco Borissov, seguido pelo partido ITP "Há um Tal Povo" do cantor e animador satírico de televisão Slavi Trifonov com 18%, que faz a sua estreia na cena política búlgara.

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Após uma série de manifestações contra a corrupção que mobilizou milhares de búlgaros a partir do verão de 2020, nesta verdadeira disputa entre pró-russos e pró-ocidentais, a participação dos eleitores foi de cerca de 48%, com mesas de voto instaladas nos hospitais e centros de saúde e urnas móveis para os cidadãos em quarentena da pandemia da Covid-19 que aumenta exponencialmente na Bulgária, com 13.589 mortos, 352.999 casos, 68.977 doentes hospitalizados e 401.514 vacinados.

O Presidente Roumen Radev, que apoiou os protestos anti-governamentais, afirmou no domingo "ter votado contra o arbitrário e a corrupção" este escrutínio foi "um passo para o regresso à normalidade".

O movimento contestatário é liderado com 18% de votos, pelo partido populista da direita ITP "Há um Tal Povo" do cantor e animador satírico de televisão Slavi Trifonov, apoiado pela diáspora búlgara, onde obteve 30% dos votos, e crítico acérrimo do governo do partido GERD conservador de centro-direita no poder desde 2009, do primeiro-ministro  Boyco Borissov, que apesar dos 26% recuou de 9% em relação às legislativas de 2017, nas quais a participação foi de 54%, devido a uma série de escândalos e ao descontentamento crescente da população, será um parceiro incontornável na futura e inevitável coligação na Bulgária.

Boyco Borissov, 61 anos, antigo guarda-costas e kareteka, rejeita qualquer contacto com os midia desde as manifestações anti-governo que começaram no verão passado, diz-se próximo do povo e desenvolveu grande parte da sua campanha via Facebook e transmitiu diariamente imagens vindas dos quatro cantos do país na companhia de operários e patrões.

Slavi Trifonov, 54 anos, com sintomas da Covid-19 e que não participou em nenhuma manifestação e fez campanha a partir do estúdio do seu próprio canal de televisão, anunciou ontem que ficaria voluntariamente em isolamento profiláctico agradeceu aos seus eleitores que pediram uma "mudança invevitável".

Mas a verdadeira derrota foi a do Partido Socialista, que passa de cerca de 28% a 14,9%, que se junta ao voto de contestação dos partidos estreantes na cena política "Bulgária Democrática" coligação da direita urbana, constituído pelos que iniciaram as manifestações anti-governamentais do verão passado que obteve 10% de votos e ao partido de esquerda "Em pé, Máfia fora", próximo do Presidente Roumen Radev, que obteve 5%. 

Há que contar também com o partido da minoria turca MDL, habitualmente considerado como o "fazerdor de reis" que surge em 5° lugar com 9% de votos, enquanto os nacionalistas do VMRO, que participam no governo em fim de mandato não obtiveram os 4% necessários para entrar no parlamento.

Assim, são sete os partidos que deverão ultrapassar a barra dos 4% e obter assentos na parlamento, mas esta fragmentação da paisagem política não augura nada de bom para os futuros dirigentes da Bulgária, pois nenhum partido deverá obter a maioria absoluta e mesmo as mais improváveis coligações não poderão reunir os 121 deputados suficientes para adoptar leis.

Na noite da eleição o primeiro-ministro Boyko Borissov, através da rede Facebook apelou à união nacional e à formação de um governo de peritos até dezembro - data das eeições presidenciais -  para gerir a crise sanitária, em plena terceira vaga da pandemia da Covid-19, e à varanda da sua residência apelou os seus opositores afirmando "proponho-vos a paz, não poderei alcançá-la sózinhos, unamo-nos". Mas até ao momento nenhum partido respondeu a este apelo.

Bulgária, partido do primeiro-ministro Borissov sem maioria

O fenómeno da compra de votos pelos partidos, que habitualmente atinge entre 5% e 19% dos sufrágios, deveria aumentar, advertiu no início da semana passada a ONG Anticorruption Found, que estimava que os eleitores subornados deveriam estar mais motivados para votar do que os que votam livremente, que poderiam mostrar-se mais reticentes, devido à propagação exponencial da pandemia da Covid-19 e a ONG também alerta para suspeitas de fraude nos boletins de voto uitilizados na diáspora.

As complexas negociações para formar governo na Bulgária, deverão demorar semanas, senão meses, dado que o país não conheceu tal fragmentação do poder desde 1990 e só as eleições presidenciais previstas para novembro, nas quais o Presidente Roumen Radev briga um novo mandato, poderão clarificar as tendências.

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