Alexeï Navalny/Greve de fome/Hospital-Prisão

Rússia: opositor Alexeï Navalny hospitalizado na prisão de Pokrov

Alexeï Navalny de cabeça rapada na colónia penitenciária de Polkrof ou IK-2, situada a uma centena de kms a leste de Moscovo, foi lá hospitalizado a 5 de abril devido a problemas respiratórios.
Alexeï Navalny de cabeça rapada na colónia penitenciária de Polkrof ou IK-2, situada a uma centena de kms a leste de Moscovo, foi lá hospitalizado a 5 de abril devido a problemas respiratórios. © Instagram

O opositor russo Alexeï Navalny, em greve de fome desde 31 de março foi internado com problemas respiratórios esta segunda-feira, 5 de abril no hospital da colónia penitenciária de Pokrov, enquanto hoje foram detidos frente a este estabelecimento prisional a sua médica pessoal, um jornalista e outros próximos do mais célebre opositor russo.

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Alexeï Navalny, em greve de fome desde 31 de março em protesto contra as condições de detenção na prisão IK-2 (perdeu desde então 5 kgs, segundo a sua avogada) foi transferido esta segunda-feira, 5 de abril, para o hospital da colónia penitenciária de Pokrov, uma das mais duras da Rússia, situada a uma centena de kms a leste de Moscovo, com problemas respiratórios, tosse compulsiva e febre, anunciou ontem o jornal Izvestia, próximo do Kremlin, mas nenhuma confirmaçao ofical foi ainda publicada.

Condenado em fevereiro a 32 meses de prisão por violação da liberdade condicional, a saúde de Alexeï Navalny parece deteriorar-se, depois de a 31 de março ter anunciado iniciar uma greve de fome, para denunciar as condições de detenção e acusando a administração penitenciária de lhe negar atendimento, quando ele exigia ser examinado por um especialista, queixando-se de graves dores agudas nas costas e pernas.e de "torturá-lo" com privação do sono.

Ontem, 5 de abril, Navalny escreveu nas redes sociais que um detido da sua unidade carceral, tinha sido internado com tuberculose, o terceiro nalgumas semanas e que ele tinha uma forte tosse e febre, além de dores nas costas e problemas nas pernas, de que se queixa desde o fim de março, depois de na semana passada o mais célebre opositor russo declarou que deveria ser posto em isolamento.

Segundo a agência francesa de notícias AFP, na tarde desta terça-feira, 6 de abril foi detida uma dezena de pessoas em frente à colónia penitenciária de Pokrof, médicos, pelo menos um jornalista e Anastasia Vasilieva, a médica pessoal de Navalny quando pretendiam ver o director e as pessoas encarregues da saúde de Alexeï Navalny para obter informações sobre o seu estado de saúde, o que lhes foi negado. A polícia confirma a detenção de nove pessoas por distúrbios à ordem pública.

Alexeï Navalny, hospitalizado na prisão de Pokrov

Antes de ser presa, Anastasia Vassilieva, directora da Aliança dos Médicos, um sindicato próximo da oposição, disse estar "preocupada" e que estava lá para "entender o que se passa" no campo de Pokrov.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Alexeï Navalny não tinha que beneficiar de "condições particulares" de detenção, enquanto os serviços penitenciários garantiram no final de março que ele recebia "toda a assistência médica necessária".

A sua esposa, Ioulia Navalnaïa, publicou no Instagram uma carta do director da prisão de Pokrov na qual ele escreve que não pode hospitalizar Navalny, pois a administração penitenciária não tem o seu passaporte ou documentos de identidade obrigatórios para tal.

"Senhor director, não se esqueça que se o pior acontecer a Alexeï, a sua morte ficará grava na sua consciência e na de Putin...mas o vosso Putin apunhá-lo-á em seguida nas costas e irá responsabilizar-lo" comentou Ioulia Navalnaïa.

Entusiasmo ténue para manifestar em apoio a Alexeï Navalny

Há duas semanas foi lançado uma petição on line onde os que pretendem manifestar se podem inscrever e a verdade é que o entusiasmo tem sido ténue.

Se o vídeo denunciando a mansão milionária de Vladimir Putin à beira do Mar Negro teve milhões de visualizações em poucas horas, apenas cerca de 390.000 pessoas se inscreveram até ao momento para particpar nessa manifestação, longe ainda das 500.000 assinaturas que os organizadores pretendem reunir antes de anunciar o local, data e hora da manifestação.

Uma sondagem do Centro Levada, o instituto mais independente da Rússia, revela que 48% dos russos estimam que a condenação de Navalny a 32 meses de prisão é justificada e apenas 29% das pessoas interrogadas pensam que não. Enquanto 82% admitem ter seguido de perto ou ouvido falar sobre a sua detenção.

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