Ucrânia

Ucrânia acusa a Rússia de pretender "destruí-la"

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em uniforme militar no dia 8 de Abril de 2021 juntamente com as tropas do seu país na região de Lugansk, palco de recentes confrontos com separatistas pró-russos.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em uniforme militar no dia 8 de Abril de 2021 juntamente com as tropas do seu país na região de Lugansk, palco de recentes confrontos com separatistas pró-russos. AP

A Ucrânia acusou esta quinta-feira a Rússia de procurar "destruí-la" ao concentrar milhares de militares junto da sua fronteira. Acusações que surgem em vésperas de uma videoconferência entre o presidente francês, o seu homólogo ucraniano e a chancler alemã sobre o aumento das tensões na região.

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"Os russos ameaçam abertamente a Ucrânia com uma guerra e a destruição do Estado ucraniano". Esta foi a convicção expressa pelo chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kouleba ao referir-se ao aumento dos confrontos entre Kiev e separatistas pró-russos no leste do país nestas últimas semanas, com Moscovo a enviar dezenas de milhares de militares para a zona que faz fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, bem como para o enclave da Crimeia anexado pela Rússia em 2014.

Este reforço da presença militar russa junto do seu território faz temer à Ucrânia que o executivo de Putin esteja apenas à espera de um pretexto para justificar uma operação armada, uma hipótese perante a qual o chefe da diplomacia ucraniana já avisou que a "linha vermelha" para o seu país seria uma violação da sua fronteira.

O Kremlin, todavia, garantiu "não ameaçar ninguém" e denunciou, por sua vez, "provocações" ucranianas. Ao referir estar apenas a efectuar "exercícios militares" em resposta aos "actos ameaçadores" da Ucrânia que a seu ver estaria a preparar uma ofensiva contra os separatistas pró-russos, Moscovo avisou que iria protegê-los em caso de ataque.

Segundo dados de Kiev, 28 dos seus soldados foram mortos desde o início do ano, os separatistas dando conta, por sua vez, de pelo menos 20 baixas nas suas fileiras desde Janeiro.

Quanto a si, a missão de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) indicou nesta quinta-feira que o número de violações do cessar-fogo nesta região tinha aumentado substancialmente nestas últimas semanas depois de o calar das armas ter sido efectivo durante um período no ano passado.

O aumento da tensão nessa região não deixa de suscitar a preocupação no ocidente. Ainda ontem Berlim e Washington pediram à Rússia para reduzir os reforços militares junto da Ucrânia. Apelos aos quais até agora Moscovo não tem sido receptivo.

Na passada Terça-feira, Joe Biden propôs inclusivamente ao seu homólogo russo uma cimeira para evocar nomeadamente esta questão, mas o anúncio hoje de novas sanções americanas contra a Rússia pelas suas alegadas ingerências nas presidenciais americanas de 2016 e 2020 "poderiam não favorecer um encontro desta natureza", considerou a presidência da Rússia.

O conflito na Ucrânia entre as tropas governamentais e os separatistas pró-russos, iniciado em 2014 depois de o país enveredar para um regime fora da alçada do Kremlin, provocou mais de 13 mil mortos e 1,5 milhões de deslocados segundo a ONU.

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