Israel

120 feridos em distúrbios entre a polícia, extremistas israelitas e palestinianos em Jerusalém

Confronto entre um polícia israelita e um homem com uma máquina fotográfica junto à entrada do bairro muçulmano da Cidade Santa de Jerusalém, na noite de 22 de Abril de 2021.
Confronto entre um polícia israelita e um homem com uma máquina fotográfica junto à entrada do bairro muçulmano da Cidade Santa de Jerusalém, na noite de 22 de Abril de 2021. REUTERS - AMMAR AWAD

Distúrbios envolvendo militantes da extrema-direita israelita, palestinianos e forças da ordem ontem à noite na Cidade Santa de Jerusalém provocaram mais de 120 feridos. Exceptuando os incidentes registados no ano passado à margem de manifestações contra o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu, os últimos confrontos na Cidade Santa foram registados aquando de festas religiosas em 2019.

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Tudo começou quando um movimento extremista judeu, Lahava, abertamente hostil aos palestinianos concentrou os seus militantes ontem à noite à entrada da Cidade Santa, conforme tinha sido anunciado há dias nas redes sociais. Neste âmbito, a polícia israelita tinha desdobrado para o local centenas de agentes no intuito de proteger a "liberdade de expressão" dos manifestantes e evitar confrontos com palestinianos.

Só que a parte adversa, interpretando esta concentração como sendo uma provocação, organizou a sua contramanifestação na mesma zona e isto que coincidiu com a saída de fiéis da Esplanada das Mesquitas, depois da oração nocturna do Ramadão.

Geraram-se rapidamente confrontos, com a polícia a ser visada tanto pelos militares israelitas de extrema-direita como pelos palestinianos, incidentes cujo balanço foi segundo o Crescente Vermelho palestiniano de 105 feridos, sendo que a polícia israelita deu conta de 20 feridos entre os seus agentes.

Estas violências consideradas as mais graves dos últimos tempos em Jerusalém, foram condenadas pelo chefe da Alta Autoridades Palestiniana, Mahmud Abbas, que denunciou as "incitações ao ódio" por parte de grupos israelitas de extrema-direita e apelou a comunidade internacional a "proteger" os palestinianos da parte oriental de Jerusalém.

Os Estados Unidos também deram da sua "preocupação com a violência em Jerusalém nos últimos dias" e apelaram a "um retorno à calma”. No mesmo sentido, em reunião no Conselho de Segurança, o enviado especial da ONU para o Médio Oriente, Tor Wennesland, reclamou uma "diminuição da tensão". Por seu turno, a Jordânia denunciou as "provocações levadas a cabo por grupos extremistas judeus".

De referir que estas violências acontecem numa altura em que Israel continua sem novo governo, um mês depois das legislativas em que o partido de Benjamin Netanyahu chegou à frente mas sem maioria clara. Estes incidentes ocorrem igualmente a um mês de os palestinianos organizarem no próximo dia 22 de Maio as suas primeiras eleições em 15 anos.

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