Colômbia/Política/sociedade

Comunidade internacional apela à calma após repressão de protestos na Colômbia

Manifestantes protestam em Bogotá, no dia 4 de Maio de 2021,contra a repressão policial, a pobreza e as desigualdades, na Colômbia.
Manifestantes protestam em Bogotá, no dia 4 de Maio de 2021,contra a repressão policial, a pobreza e as desigualdades, na Colômbia. © REUTERS - Nathalia Angarita

A comunidade internacional condenou a violenta repressão dos protestos na Colômbia depois da ocorrência  de numerosos mortos.Novas manifestações estão previstas para protestar contra o aumento de  impostos no país sul-americano.

Publicidade

As Nações Unidas, os Estados Unidos, a União Europeia e organizações de direitos humanos criticaram na terça-feira a violenta repressão, no decurso da qual 19 pessoas morreram  e 846 ficaram feridas em confrontos com as forças de segurança colombianas.

Segundo a Agência de Defesa dos Direitos Humanos da Colômbia, um organismo público independente,86 pessoas estão numa lista de desaparecidos após os protestos contra o aumento de impostos, que tiveram início a semana passada.

Os protestos, inicialmente destinados a denunciar o aumento de impostos, transformaram-se num amplo movimento contra a política do Presidente Ívan Duque e as desigualdades na Colômbia, agravadas pela epidemia de Covid-19.

Durante os confrontos com as forças da ordem registaram-se saques e cenas de vandalismo, assim como ataques à esquadras da polícia.

O Departamento das Nações Unidas para os Direitos Humanos, expressou a sua profunda indignação perante alegados disparos das forças policiais contra os manifestantes na cidade colombiana  de Cali.

Cali é a terceira cidade mais importante da Colômbia, bem como o epicentro das manifestações de protesto.

A porta-voz da agência da ONU para os direitos Humanos, Marta Hurtado, apelou à calma perante a importante escalada da tensão, exacerbada pelos confrontos registados durante a noite de terça-feira.

Segundo a presidente  da Câmara Municipal de Bogotá, Claudia Lopez ,a situação tornou-se muito violenta. Lopez acrescentou que as forças de polícia foram alvos de disparos e atacados com facas. Dezasseis esquadras foram vandalizadas e uma delas incendiada com polícias no interior.

Bloqueios de estrada foram erigidos em várias regiões da Colômbia, pondo em causa o aprovisionamento de oxigénio e de outros materiais médicos, necessários ao combate contra a pandemia de coronavírus.

O governo de Ívan Duque reconheceu apenas as mortes de um civil e de um polícia.

O chefe de Estado colombiano afirmou que não há justificação nenhuma, para que os manifestantes disparem contra a polícia.

Diego Molano, encarregado da pasta da Defesa da Colômbia, declarou que as forças de segurança  devem ser implacáveis para com os manifestantes que cometem actos de vandalismo. 

Os protestos anti-governamentais ocorrem numa altura em que a Colômbia atravessa severas dificuldades económicas, o produto interno bruto regista uma queda de 6,8% (dados de 2020) e o desemprego no país da América do sul atinge 16,8% da população activa.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI