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Covid-19: Estados Unidos propõem levantamento da patente das vacinas

"Libertem a vacina" foi o mote de uma manifestação em Washington DC a 5 de Maio de 2021.
"Libertem a vacina" foi o mote de uma manifestação em Washington DC a 5 de Maio de 2021. AFP - SAUL LOEB

Os Estados Unidos propuseram o levantamento das patentes das vacinas contra a Covid-19. A União Europeia mostra-se disposta a debater o tema e o Presidente francês disse ser a favor do levantamento. Os anúncios surgem numa altura em que os países pobres carecem significativamente de vacinas e em que a Índia totaliza mais de 230.000 mortes por covid-19, nomeadamente com um novo recorde de 4.000 mortes nas últimas 24 horas.

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Os Estados Unidos anunciaram, quarta-feira, que são a favor do levantamento das patentes das vacinas contra a covid-19 e que estão a trabalhar nesse assunto com a Organização Mundial do Comércio. O líder da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, escreveu, no Twitter, que se trata de uma “decisão histórica”.

Até agora, as patentes são detidas pelos laboratórios americanos que se opõem, de forma geral, ao seu levantamento por se verem privados de rendimentos resultantes dos avultados investimentos nas vacinas.

A Federação Internacional da Indústria Farmacêutica considerou o anúncio “decepcionante” e a Federação Americana da Indústria Farmacêutica teme que isso provoque contrafacção de vacinas.

Esta quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia está “disposta a debater” a proposta americana para acelerar a produção e distribuição das vacinas.

Ursula von der Leyen lembrou que a União Europeia é, por enquanto, "o principal exportador de vacinas no mundo" e pediu aos outros países produtores para fazerem o mesmo. Uma mensagem dirigida indirectamente ao Reino Unido que não exportou nenhuma dose fabricada no seu território e aos Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia disse que “a UE exporta par mais de 90 países”, do Japão à Colombia, passando pelo México, ou seja, é “a farmácia do mundo” e “a única região democrática a exportar em larga escala”. “Mais de 200 milhões de doses produzidas na Europa foram exportadas, ou seja, tantas quanto a UE deu aos seus próprios cidadãos”, sublinhou.

Esta quinta-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse ser "a favor" do levantamento das patentes.

A suspensão temporária das patentes tem vindo a ser reclamada pela Índia e pela África do Sul para poder acelerar a sua produção e lutar contra a crise sanitária.

Mais de um ano depois do início da pandemia, o contraste entre os países pobres e ricos no acesso às vacinas é flagrante. Nos países ricos, a vacinação em massa está a permitir um levantamento progressivo das restrições sanitárias. Por exemplo, nos Estados Unidos a campanha de vacinação vai ser aberta, em breve, aos adolescentes e, no Canadá, às crianças a partir dos 12 anos.

Na Dinamarca, onde a situação epidemiológica está sob controlo, a entrada em cinemas, teatros e ginásios passa a fazer-se mediante a apresentação do “coronapas”, ou seja, o passaporte sanitário que atesta a toma da vacina ou um teste negativo de menos de 72 horas.

Em contrapartida, a Índia totaliza mais de 230.000 mortes por covid-19 e nas últimas 24 horas foi batido um novo recorde de 4.000 mortes, números que muitos analistas apontam como muito aquém da realidade. Os hospitais estão saturados e com falta de reservas de oxigénio, de medicamentos e de camas.

A iniciativa Covax - que promete entregar vacinas para os países de rendimento baixo e médio e que distribui essencialmente vacinas da AstraZeneca - apenas distribuiu até agora 49 milhões de doses em 121 países e territórios, apesar de o objectivo ser de dois mil milhões de doses ainda este ano.

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