França

Castex detalha as modalidades da próxima fase do levantamento das restrições em França

Manchete do jornal Le Parisien para uma entrevista exclusiva do primeiro-ministro francês, Jean Castex.
Manchete do jornal Le Parisien para uma entrevista exclusiva do primeiro-ministro francês, Jean Castex. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

Quando falta um pouco mais de uma semana para a França encetar uma nova fase do levantamento das restricções impostas no âmbito da luta contra a pandemia, com a abertura de certos comércios e das esplanadas dos cafés e restaurantes a partir do dia 19 de Maio, o chefe do governo Francês detalhou as modalidades do alívio do confinamento numa entrevista publicada hoje pelo diário “Le Parisien”.

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"Digo-o da forma mais clara: estamos finalmente no processo de sair de forma duradoiramente desta crise de saúde", disse o chefe do governo, ao “Le Parisien” ao recordar que “esta saída será feita de forma progressiva, cautelosa e acompanhada”.

Actualmente, a França continua a registar uma média de 17 mil casos positivos de covid-19 por dia, ou seja muito aquém do objectivo de 5 mil infecções diárias definido no final do ano passado para se considerar a hipótese de aliviar as restrições.

No seu mais recente parecer, o conselho científico nomeado no ano passado para orientar as decisões do governo em matéria de luta contra a pandemia, alertou que "os próximos meses vão ser muito incertos" se a taxa de incidência continuar elevada, ou seja acima do patamar dos 10 mil novos casos por dia.

Apesar destas dúvidas, Jean Castex considerou que o” sistema francês está equilibrado. Prevê medidas de contenção no caso de a situação epidémica sair do controlo localmente. E acrescentaria que depende do comportamento colectivo.”

O Chefe do governo francês não deixou todavia de ressalvar que “nunca se deve excluir nada e permanecer muito vigilante. Ao controlar, em particular, a disseminação de variantes através de medidas de controlo, nomeadamente nas fronteiras e em casa das pessoas em quarentena, o que nos coloca entre os países mais exigentes da Europa. Também pedimos vacinas na eventualidade de ser necessário um reforço da vacinação no outono.”

Ao referir-se especificamente à campanha de vacinação, Jean Castex também expressou optimismo relativamente à possibilidade de se alcançar os 20 milhões de primeiras injecções de vacinas até meados deste mês. “Estou confiante de que vamos chegar a este objectivo no final da semana. Apesar de a hesitação em torno da AstraZeneca ter sido um travão”, declarou o Primeiro-Ministro francês, numa altura em que o país contabiliza para já, cerca de 18 milhões de primeiras injecções de vacinas e que só desde ontem é que se começou a administrar as vacinas às pessoas com idades acima dos 50 anos.

Referindo-se a outro dossier, o polémico “passaporte sanitário” que num primeiro tempo o próprio executivo francês excluía alegando que este dispositivo poderia ser uma ameaça ao direito de circulação, o chefe do governo francês indicou que “a sua implementação está actualmente a ser discutida no Parlamento. Mas a filosofia geral é reservar esse passaporte para grandes eventos que reúnam mais de mil pessoas ao mesmo tempo. Especialmente em grandes teatros, salas de conferências, grandes concertos, estádios, etc. Por outro lado, não será necessário em locais de trabalho, educação, serviços públicos, museus, bibliotecas, etc. lojas de departamento, mercados, locais de férias e locais de culto”, esclareceu ainda Jean Castex.

De referir que segundo os mais recentes dados das autoridades sanitárias francesas, o país acumulou até agora mais de 5 milhões de contaminações e ultrapassou os 106 mil mortos devido à covid-19.

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