Myanmar

Myanmar : cem dias com a junta militar no poder

Aung San Suu Kyi, no dia 17 de Janeiro de 2020.
Aung San Suu Kyi, no dia 17 de Janeiro de 2020. © STR / AFP

Fez esta Terça-feira 100 dias que se deu o golpe militar no Myanmar com as autoridades civis a serem detidas, nomeadamente a chefe do governo Aung San Suu Kyi que até agora continua presa, sob várias acusações.

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Mantida em prisão domiciliária em Naypyidaw, capital política do país, a Prémio Nobel da Paz 1991 é acusada nomeadamente de ter importado ilegalmente 'walkie-talkies', de "incitar a distúrbios públicos" e de ter recebido mais de um milhão de dólares e 11 quilos de ouro em subornos.

Sem acesso directo à sua defesa, a ex-dirigente de 75 anos deveria comparecer presencialmente pela primeira vez perante os juízes no próximo dia 24 de Maio, segundo anunciou ontem um dos seus advogados.

Paralelamente, a repressão da oposição pro-democracia continua. De acordo com a Associação de Assistência aos Presos Políticos, pelo menos 780 civis foram mortos nestes 3 meses. A mesma fonte estima igualmente que mais de 3.800 pessoas permanecem detidas na sua grande maioria em locais mantidos secretos.

Esta ONG denuncia ainda violências contra mulheres, execuções extrajudiciais assim como actos de tortura, citando nomeadamente o caso do poeta birmanês, Khet Thi que foi preso no Sábado passado e acabou por morrer em cativeiro 24 horas depois.

Perante esta situação, milhares de opositores encontraram refúgio nos territórios controlados pelas facções rebeldes, no norte e no leste do Myanmar e deputados destituídos, doravante na clandestinidade, formaram um «governo de unidade nacional», mas sem nenhuma expressão.

A nível externo, apesar das condenações e sanções decretadas pelos Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido, a junta militar não inflectiu até agora a sua posição. A China e Rússia, aliados tradicionais do poder militar birmanês têm feito frente para impedir o voto no Conselho de Segurança da ONU de qualquer embargo à venda de armas.

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