Palestina/Israel

Israel bloqueia ajuda humanitária em Gaza

Nos últimos dias, a Força Aérea israelista intensificou ataques contra os edifícios mais altos no centro de Gaza.
Nos últimos dias, a Força Aérea israelista intensificou ataques contra os edifícios mais altos no centro de Gaza. REUTERS - MOHAMMED SALEM

As Nações Unidas saudaram esta terça-feira, 18 de Maio, a abertura de um ponto de passagem, anunciada pelas autoridades israelitas nove dias depois do início da crise entre Israel e Palestina.

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Israel encerrou, poucas horas depois da abertura, o posto de passagem para a Faixa de Gaza de Querem Shalom para a entrada de ajuda humanitária, anunciaram as autoridades israelitas. Foram lançados projécteis em direcção ao posto de passagem de Querem Shalom, "por onde entrava ajuda humanitária", anunciou o órgão israelita responsável pelas operações civis nos territórios palestinianos.

Depois do encerramento deste posto de passagem crucial, a França pediu a Israel que "garanta o acesso rápido e sem entrave para ajudar Gaza", afirmou o primeiro-ministro Jean Castex, na Assembleia Nacional. "Um envio humanitário foi autorizado esta terça-feira e deve manter-se", insistiu, num momento em que a comunidade internacional tenta, sem sucesso, travar a escalada mortífera entre Israel e os grupos de Gaza.

Esta tarde, as Nações Unidas saudaram a abertura deste posto de passagem, anunciada pelas autoridades israelitas para ajuda humanitária. No entanto,  as autoridades israelitas nunca precisaram por tempo o posto ficaria aberto.

Desastre humanitário

Na Faixa de Gaza a ajuda humanitária é urgente. Os bombardeamentos mataram mais de 214 pessoas, entre elas 61 crianças, desde 10 de Maio. Em Israel, morreram dez pessoas, duas crianças, indica o executivo israelita.

A violência vai provocar um desastre humanitário e a ONU estima que 47.000 palestinianos foram deslocados, 2.500 estão deslocados. 

"Em Gaza não se vive uma guerra, mas sim um genocídio", afirma Obai Radwan, palestiniano que vive há nove anos em Lisboa. "Estou preocupado com a minha família e pelo povo palestiniano. Os israelitas não pararam desde 1948, quando ocuparam a minha terra e expulsaram a minha família", defende.

Os israelitas "gostam de guerra, gostam de ocupar a terra dos outros. Eles queriam criar um Estado puro judeu e fazem limpeza étnica e continuaram até hoje. Isto não é guerra, mas sim um genocídio porque quem tem mais armas são os israelitas", defende Obai Radwan.

Palestiniano a viver em Portugal, Obai Radwan

Três rockets foram disparados do Sul do Líbano para Israel, na noite de segunda-feira, provocando uma retaliação israelita, disse à AFP uma fonte militar libanês.

Há nove dias que se assiste a uma escalada da violência na região, depois semanas de tensão entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do islão junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Desde quarta-feira que milhares de rockets caem em zonas metropolitanas de Telavive. "Na quarta-feira passada houve um ataque que começou pela barragem de 300 rockets, um dos quais foi interceptado a 30 metros da janela da minha casa. A partir daí as sirenes começaram a tocar regularmente", descreve David Rosh Pina, empresário português em Telavive.

"As pessoas têm tido uma ética fantástica, a economia é muito forte e a vida continua com as sirenes. Estou a falar-lhe de uma torre de quarenta andares que está cheia. Se houver algum ataque, como já aconteceu nesta torre, na quinta-feira houve uma sirene e fomos para as escadas. Quando passou saímos, mas não deixa de ser uma situação delicada", relata.

"Não posso dizer que quando toca uma sirene as pessoas acham normal ou que não temem pela sua vida. Houve pessoas que faleceram, as pessoas falam muito das 10 baixas, mas gostava que se falasse de todas potenciais baixas que podem acontecer nestes ataques", sublinhou David Rosh Pina.

David Pina, português a viver em Telaviv

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