Covid-19: EUA prometem 500 milhões de doses de vacinas a países pobres

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos. 9 de Junho de 2021, Maryland, EUA.
Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos. 9 de Junho de 2021, Maryland, EUA. AFP - BRENDAN SMIALOWSKI

A Casa Branca anunciou, esta quinta-feira, que os Estados Unidos vão dar 500 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 a países pobres. A promessa vai ser oficializada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, durante a estada no Reino Unido.

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Esta quinta-feira, a Casa Branca anunciou que o Presidente norte-americano, Joe Biden, vai anunciar, durante a sua estada no Reino Unido, a compra de 500 milhões de doses de vacinas da Pfizer/BioNTec para doar a países que necessitem.

Trata-se da maior encomenda e oferta de vacinas realizada por um único país e é um compromisso do povo americano para ajudar a proteger as populações do mundo inteiro contra a Covid-19”, indicou a Casa Branca.

As doses vão ser distribuídas a 92 países através da plataforma Covax e devem começar a ser enviadas em Agosto, prevendo-se que, até ao final do ano, sejam entregues 200 milhões de doses. As outras 300 milhões devem ser entregues até finais de Junho do próximo ano.

O anúncio vai ser oficializado por Joe Biden, no Reino Unido, onde ele vai participar na cimeira do G7 que vai ser dominada pelo tema da gestão mundial da pandemia. A 20 de Maio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou indirectamente Washington e Londres por não exportarem vacinas e se concentrarem apenas na vacinação nacional, ao apontar que “a UE exportou 220 milhões de doses, quase a mesma quantidade que já usou nos seus próprios cidadãos”.

Entretanto, a delegação europeia da Organização Mundial de Saúde avisou que o nível de vacinação na Europa é insuficiente para evitar uma nova vaga. Trinta por cento dos europeus receberam uma primeira dose e apenas 17% recebeu as duas.

O presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que “a pandemia acelerou as desigualdades” entre os países, disse que “os países que podem partilhar não o fazem” e apelou os países do G7 a dar 100 milhões de doses aos países mais pobres nos próximos dois meses.

Por outro lado, um relatório das Nações Unidas publicado hoje alerta que mais nove milhões de crianças poderão ser obrigadas a trabalhar por causa da crise provocada pela pandemia. Actualmente, há 160 milhões de crianças vítimas de trabalho infantil.

O anúncio da doação norte-americana de vacinas deverá desencadear uma corrida com promessas semelhantes no G7, mas acontece apenas depois de os países mais ricos terem primeiro dado prioridade aos seus próprios cidadãos. Em África, só 2% da população está imunizada. O acesso equitativo às vacinas vai dominar a primeira cimeira presencial do G7 em dois anos, mas o Brexit poderá ensombrar a reunião na solarenga Cornualha, no sudoeste de Inglaterra. Joe Biden deverá dizer hoje ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que o acordo do Brexit deve ser cumprido para não colocar  em causa a paz na Irlanda do Norte. 

Oiça aqui a reportagem de Bruno Manteigas, correspondente em Londres.

Correspondência de Londres, 10/6/2021

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