Peru

Pedro Castillo vence oficialmente as eleições presidenciais no Peru

Pedro Castillo foi proclamado nesta segunda-feira o presidente eleito do Peru, após seis semanas de uma feroz disputa em que sua adversária de direita, Keiko Fujimori, chegou a agitar a acusação de fraude eleitoral.
Pedro Castillo foi proclamado nesta segunda-feira o presidente eleito do Peru, após seis semanas de uma feroz disputa em que sua adversária de direita, Keiko Fujimori, chegou a agitar a acusação de fraude eleitoral. AP - Guadalupe Prado

O candidato da esquerda radical, Pedro Castillo, foi proclamado na segunda-feira vencedor das eleições presidenciais no Peru pela autoridade eleitoral, mais de um mês após a segunda volta que o opôs à candidata da populista de direita Keiko Fujimori e em que ele obteve 44 mil votos a mais do que a sua adversária.

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“Eu proclamo Presidente da República José Pedro Castillo Terrones”, anunciou ontem o Presidente do Júri Eleitoral Nacional (JNE), Jorge Luis Salas, durante uma breve cerimónia virtual. A autoridade eleitoral confirmou deste modo os resultados divulgados há várias semanas pelo Órgão Nacional do Processo Eleitoral (ONPE), pondo fim ao suspense que reinava no país, com pano de fundo de tentativas de intimidação contra os membros do JNE e apelos à insurreição, por parte do campo fujimorista.

No final do apuramento da totalidade dos votos, o ONPE deu como vencedor com um pouco mais de 50% dos votos Pedro Castillo, 51 anos, contra 49,87 % dos votos para a sua rival Keiko Fujimori, 46 anos, filha do antigo presidente Alberto Fujimori (1990-2000) que se encontra actualmente a cumprir uma pena de 25 anos de prisão, por corrupção e crimes contra a Humanidade.

O novo presidente, de 51 anos, é um antigo professor com origens humildes que trabalhou em meio rural e que só ficou a ser conhecido dos eleitores ao liderar há 4 anos um movimento de greve da classe docente. O seu programa consiste essencialmente em conduzir uma série de nacionalizações e pôr fim a certas importações. Castillo prometeu igualmente uma reforma constitucional, mas no seu discurso de vitória, ontem, prometeu respeitar a actual lei suprema “enquanto o povo quiser”.

“Peço esforço e sacrifício na luta para fazer deste um país justo e soberano”, declarou ainda Castillo ao apelar à unidade do país. “Vamos trabalhar juntos e rejeitar qualquer coisa que vá contra a democracia”, disse o novo Presidente eleito.

A sua adversária neste escrutínio, Keiko Fujimori, que no início do mês tinha ameaçado rejeitar os resultados eleitorais, acabou por admitir a sua derrota.

Antes mesmo da divulgação dos resultados finais, Keiko Fujimori anunciou que “cumprindo os seus compromissos, o seu compromisso com todos os peruanos e com a comunidade internacional, reconhecia os resultados porque é o que a lei e a Constituição exigem”.

Formalmente acusada de corrupção e de branqueamento de capitais, Keiko Fujimori vê assim afastar-se a imunidade presidencial e a hipótese de escapar à prisão. A filha do ex-presidente Fujimori que está a ser investigada por alegados subornos durante as suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016, em que foi derrotada na segunda volta, já cumpriu 16 meses de prisão preventiva e incorre actualmente até 30 anos de prisão.

A missão de observação da Organização dos Estados Americanos, os Estados Unidos e a União Europeia consideraram que as eleições peruanas foram livres e transparentes.

Pedro Castillo deve ser investido por um mandato de 5 anos dentro de uma semana, no dia 28 de Julho, data em que expira o mandato do presidente interino Francisco Sagasti e em que o país comemora o bicentenário da sua independência.

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