Afeganistão

Tiros de roquetes junto do palácio presidencial afegão em pleno Aid el Ahda

Carro carbonizado por um dos três tiros de roquete perto do palácio presidencial em Cabul, capital do Afeganistão, na manhã deste dia 20 de Julho de 2021.
Carro carbonizado por um dos três tiros de roquete perto do palácio presidencial em Cabul, capital do Afeganistão, na manhã deste dia 20 de Julho de 2021. AP - Rahmat Gul

Tiros de roquetes explodiram esta manhã junto do palácio presidencial em Cabul, capital do Afeganistão, no preciso momento em que o Chefe de Estado Ashraf Ghani estava a dirigir-se à nação em directo na televisão por ocasião da celebração muçulmana do Aid el Ahda. Este ataque não reivindicado acontece numa altura em que o governo e os Talibãs reataram o diálogo no passado fim-de-semana, sem que se tenha porém alcançado um cessar-fogo no terreno.

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Os tiros de roquetes não atingiram o palácio presidencial nem causaram vítimas no imediato, segundo informou o Ministério do Interior ao declarar que “os inimigos do Afeganistão lançaram um ataque com roquetes em vários lugares de Cabul”, mas sem apontar o dedo a possíveis autores, sendo que esta tentativa de agressão -que não é a primeira- acontece num momento particularmente delicado, com o reatar de um diálogo precário entre o governo e os Talibãs no sábado passado em Doha, no Qatar, quando os Estados Unidos estão prestes a concluir a retirada das suas tropas do Afeganistão em finais de Agosto.

Aludindo precisamente às discussões do passado fim-de-semana, o presidente Ashraf Ghani declarou que o seu governo era "a favor do processo de paz, ao contrário dos Talibãs". Estes últimos que têm somado as vitórias desde que lançaram uma ofensiva em Maio, perante tropas governamentais fragilizadas sem o apoio americano, disseram no domingo “ser favoráveis a uma solução negociada”, mas não optaram pelas tréguas habitualmente decididas por ocasião das festas religiosas muçulmanas.

"Os Talibãs mostraram que não têm vontade nem intenção de fazer a paz", afirmou o Presidente afegão no seu discurso hoje após o ataque, acrescentando que até agora, "os Talibãs não demonstraram" o menor interesse "em negociações sérias e significativas".

No domingo, os beligerantes terminaram a sua ronda de discussões, concordando apenas sobre a necessidade de encontrar uma "solução justa" e de se encontrarem novamente na "próxima semana".

Estas discussões cujo desfecho ficou reconhecidamente aquém das expectativas do governo afegão, coincidiram com um agudizar da tensão com o vizinho Paquistão acusado por Cabul de apoiar os Talibãs.

Na passada sexta-feira, a filha de 26 anos do embaixador do Afeganistão no Paquistão foi sequestrada no centro da capital paquistanesa e, depois de ser alegadamente agredida por dois homens, ela foi encontrada inconsciente à beira da estrada. Um autêntico rastilho para uma situação já por si volátil.

Neste domingo, Cabul que acusa Islamabade de enviar milhares de jihadistas paquistaneses para apoiar os insurgentes afegãos, chamou de volta o seu embaixador. O Paquistão que considera “injustas” estas acusações e recorda que acolho no seu solo "mais de três milhões de refugiados afegãos" acabou por retribuir com a mesma moeda, chamando de volta o seu embaixador baseado no Afeganistão.

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