Golpe de Estado

Junta militar em Myanmar promete eleições até 2023

Em seis meses, já morreram 940 pessoas e mais de 5.400 pessoas estão detidas por oposição à junta militar.
Em seis meses, já morreram 940 pessoas e mais de 5.400 pessoas estão detidas por oposição à junta militar. © REUTERS - JORGE SILVA

Uma semana depois de anular o resultado das eleições democráticas de 2020 que reelegeram Aung San Suu Kyi, a junta militar de Myanmar prometeu agora novas eleições até 2023, numa altura em que o país passa por uma nova vaga de covid-19.

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Os seis meses do golpe de Estado da junta militar em Myanmar não foram marcados por grandes protestos no país asitático. À forte repressão dos militares birmaneses, juntou-se uma nova vaga da covid-19, afastando grande parte da populações descontente com a chegada ao poder dos detratores de Aung San Suu Kyi, ex-primeira-ministra.

O aniversário do golpe foi sim assinalado pela junta militar, com o seu líder, Min Aung Hlaing, a prometer que as eleições se vão organizar entre "agora e agosto 2023".

 "Estamos a trabalhar para estabelecer um sistema multipartidário democrático", afirmou Min Aung Hlaing.

Há uma semana, a junta militar declarou ilegais as eleições que elegeram Aung San Suu Kyi em 2020. A ex-governante e Nobel da Paz continua a ser julgada por crimes como corrupção e traição do segredo de Estado, estando há seis meses em prisão domiciliária e tendo sido vista poucas vezes em público.

Ao mesmo tempo, a situação da pandemia no país agrava-se, com o Reino Unido a alertar que nas duas próximas semanas metade da população de Myanmar pode estar infectada pela covid-19, com apenas 40% dos hospitais a funcionarem corretamente. 

A repressão nas ruas continua, tendo morrido nos ultimos seis meses 940 pessoas, centenas de opositores á junta desapareceram e mais de 5.400 pessoas estão detidas, segundo organizações não-governamentais no terreno.

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