Terrorismo

Aeroporto de Cabul reabre e líderes mundiais tomam posição

Um dos aviões franceses conseguiu evacuar franceses e afegãos durante a noite no aeroporto de Cabul.
Um dos aviões franceses conseguiu evacuar franceses e afegãos durante a noite no aeroporto de Cabul. AFP - STR

O aeroporto da capital do Afeganistão reabriu esta noite permitindo a partida de vários voos, incluindo um avião militar francês, com Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, a defender saída das tropas do país, mesmo com tomada de poder dos talibã.

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Após a invasão da pista do aeroporto de Cabul e vários acidentes em que pessoas chegaram a cair dos aviões, vários voos saíram da capital do Afeganistão durante a noite, tornando possível a saída ordeira de afegãos e de diplomatas de diversas nacionalidades.

As operações estão a ser coordenadas pelos militares norte-americanos que ainda controlam o aeroporto, último bastião a cair face aos talibã.

A primeira evacuação francesa após a chegada do grupo terrorista a Cabul aconteceu esta noite, com um avião militar gaulês a transportar diplomatas e afegãos que trabalharam para a Embaixada de França até aos Emirados Árabes Unidos, sendo depois repatriados para a Europa.

Na noite de segunda-feira, vários líderes reagiram à rápida tomada do poder dos afegãos, incluindo o Presidente Joe Biden, numa das comunicações mais aguardadas dos últimos dias.

"Após 20 anos, percebi da pior forma que não há um bom momento para retirar as forças americanas deste cenário", explicou o Presidente, admitindo que os acontecimentos no Afeganistão ultrapassaram as forças americanas nos últimos dias.

Joe Biden, presidente americano, dobrado por Luís Guita

Já Emmanuel Macron, Presidente francês, afirmou que o Afeganistão "não deve voltar a ser o santuário do terrorismo que já foi" e pediu uma resposta internacional "responsável e unida".

Emmanuel Macron, presidente francês, dobrado por Miguel Martins

Também Angela Merkel, chanceler alemã, falou de um acontecimento "amargo, dramático e aterrador", juntando que a missão das tropas aliadas internacionais no país "não foi tão bem sucedida" quanto o esperado nestes últimos 20 anos.

Segundo os relatos da Associated Press, esta terça-feira a situação em Cabul está mais calma, com milhares de pessoas a já terem abandonado a cidade entre sábado e segunda-feira. Os talibã falam agora em "amnistia" e admitem mesmo a possibilidade de o novo Governo do Afeganistão ter mulheres.

O Emirado Islâmico não quer que as mulheres sejam vítimas [...], elas devem integrar a estrutura do Governo de acordo com a lei da Shariah", Enamullah Samangani, membro da comissão cultura dos talibã.

Neste regresso ao poder, os talibã estão a tentar mostrar-se mais moderados, de forma a evitar o êxodo contínuo de milhares de afegãos que procuram refúgio nos países vizinhos.

No que diz respeito à África lusófona,

A secretária de Estado cabo-verdiana dos negócios estrangeiros e cooperação, Miryan Vieira, afirmou que o arquipélago acompanha a crise no Afeganistão e que a Cidade da Praia está disponível para apoiar medidas que possam garantir a estabilidade em Cabul. A partir de Nova Iorque Miryan Vieira falou à rádio pública cabo-verdiana sobre a crise no Afeganistão.

Miryan Vieira, secretária de Estado cabo-verdiana dos negócios estrangeiros e cooperação (declarações da Rádio de Cabo Verde)

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