Afeganistão

Estados Unidos e outras forças internacionais aplicaram "receita errada" no Afeganistão

A guerra no Afeganistão durou 20 anos, mas a ofensiva dos talibã tomou o país rapidamente após o anuncio da saída formal das forças estrangeiras do país.
A guerra no Afeganistão durou 20 anos, mas a ofensiva dos talibã tomou o país rapidamente após o anuncio da saída formal das forças estrangeiras do país. Javed Tanveer AFP

"Situação caótica" no Afeganistão é fruto de uma receita "errada" aplicada pelas forças internacionais, segundo Pedro Neto, director-executivo da Amnistia Internacional Portugal. 

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Ao discurso de segunda-feira à noite de Joe Biden sobre a tomada de poder dos talibã após o anúncio da saída das tropas norte-americanas, Pedro Neto, responde com pragmatismo.

"Foi uma narrativa para o seu eleitorado, foi interno. Foi para os americanos, para as pessoas que pagam impostos. E a narrativa nesse ponto de vista foi legítima, de estarem a arriscar a vida de jovens americanos que vão para o Afeganistão e outros cenários. Entendo essa narrativa do ponto de vista interno e isso não é responsabilidade exclusiva de Joe Biden", afirmou o também porta-voz da Amnistia Internacional Portugal.

Esta é uma receita já utilizada no passado e que, segundo Pedro Neto, continua a dar os mesmos resultados.

"A responsabilidade é de várias administrações e da presença internacional que muitas vezes vai para o terreno, intervém, não trabalha de forma adequada e depois sai havendo retrocessos. Esta dinâmica de intervenções internacionais vão tem uma lógica de empoderamento, mas assistencialismo. É uma receita falhada", referiu.

A situação no país para Pedro Neto "é caótica" e a tomada do poder por parte dos talibã "não é democrática".

"A situação é caótica. Estamos a  verificar que 20 anos de presença norte-americana e dos seus aliados pouco valeram porque está tudo a retroceder. Esta tomada de poder não é democrática, não é através de eleições. É à força. Tudo isto era evitável se a presença internacional tivesse trabalhado com todos as partes no terreno", afirmou.

Quanto à indicação de Emmanuel Macron que a resposta face a uma possível crise humanitária que resulto num afluxo de migrantes à Europa está já a ser concertada com a Alemanha de forma a travar quem foge do regime talibã, Pedro Neto diz-se desiludido.

"É uma péssima resposta e que desilude muito. Os princípios da liberdade e democracia, que fundaram a União Europeia não são condizentes com essas declarações", defendeu.

Para Pedro Neto não haverá crise de refugiados que "os refugiados são a consequência da crise, são as vítimas da crise". 

"Se houver rotas legais e seguras para as pessoas, se houver partilha de responsabilidades entre todos os países da União Europeia, se houver efectiva integração, nós precisamos destas pessoas", assegurou.

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