Afeganistão

Tensão extrema em vésperas de terminar a evacuação americana de Cabul

Família afegã no aeroporto de Cabul.
Família afegã no aeroporto de Cabul. © Wakil Kohsar / AFP

Os americanos interceptaram pelo menos cinco roquetes disparados contra o aeroporto de Cabul esta madrugada, segundo um responsável americano, em vésperas do fim da retirada dos Estados Unidos do Afeganistão. De acordo com a mesma fonte, para já, não há informações sobre eventuais vítimas americanas na sequência destes tiros, a comunicação social local indicando que os tiros de roquetes terão sido efectuados a partir de um veículo e que várias áreas da capital terão sido atingidas.

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Esta nova agressão, reivindicada esta tarde pelo braço local do grupo Estado Islâmico, acontece em vésperas de os Estados Unidos finalizarem as suas operações de evacuação, após vinte anos de presença militar no Afeganistão. 4.000 soldados americanos ainda se encontram a garantir a segurança do aeroporto de Cabul num clima tenso, depois do ataque na passada quinta-feira que provocou cerca de uma centena de mortos e que foi igualmente reivindicado pelo ISIS.

Em resposta a este ataque que custou a vida de 13 militares americanos e de 2 britânicos, os Estados Unidos mataram neste fim-de-semana dois altos responsáveis locais da organização jihadista e prometeram que não seria "a última" operação do género. Ontem, o exército americano destruiu um veículo cheio de explosivos junto do aeroporto de Cabul, provocando pelo menos 9 mortos pertencentes a uma mesma família, segundo revelou a CNN. O exército americano refere, quanto a si, estar a investigar a possível existência de vítimas colaterais.

Mais de 116.700 pessoas evacuadas

Entretanto, de acordo com a Casa Branca, desde o início das evacuações, no passado dia 14 de Agosto, a ponte aérea dos Estados Unidos e dos seus aliados permitiu fazer sair do país mais de 116.700 pessoas, entre as quais, diplomatas, cidadãos estrangeiros e afegãos vulneráveis por ter trabalhado com os ocidentais. Todavia, milhares de pessoas igualmente em posição precária, vão doravante depender dos Talibã para conseguir sair do país.

Neste sentido, a França e a Grã-Bretanha levam numa nova reunião hoje do Conselho de Segurança da ONU, uma proposta no sentido de criar uma zona protegida em Cabul para os afegãos que desejarem partir do seu país. Uma proposta desde já rejeitada pelos Talibã, ao garantir que os afegãos poderão viajar livremente, mesmo depois do dia 31 de Agosto, desde que tenham um passaporte e um visto.

Em alternativa à ponte aérea que encerra amanhã, o Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas fez um apelo para que os países vizinhos do Afeganistão mantenham as suas fronteiras abertas e preconizou que mais países assumam a sua "responsabilidade humanitária" para com os afegãos em fuga.

UE quer impedir "movimentos migratórios ilegais"

Perante esta situação, os ministros do interior da União Europeia prevêem reunir-se nesta terça-feira precisamente para abordar a questão da chegada de refugiados. Contudo, de acordo com um projecto de declaração à qual a agência noticiosa Reuters teve acesso, a UE pretende agir para impedir novos "movimentos migratórios ilegais e incontrolados em grande escala" em proveniência do Afeganistão.

É neste contexto que os Talibã indicaram que vão anunciar nestes próximos dias a composição do seu futuro governo. Um executivo que, para já, não pode contar com uma parte substancial das reservas de mais de 9 mil milhões de Dólares que o país tem, uma vez que os Estados Unidos anunciaram há dias o congelamento da parte destas reservas que se encontra no seu território. Contudo, ainda hoje Moscovo recomendou que Washington aceite desbloquear estes valores, sob pena de provocar a explosão do tráfico de droga e de armas no país.

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