Estados Unidos / Afeganistão

Biden sobre a retirada dos EUA do Afeganistão: "é a decisão certa"

Joe Biden defendeu o seu balanço no Afeganistão num discurso pronunciado neste dia 31 de Agosto de de 2021 na Casa Branca.
Joe Biden defendeu o seu balanço no Afeganistão num discurso pronunciado neste dia 31 de Agosto de de 2021 na Casa Branca. AP - Evan Vucci

No dia que marcava o fim da retirada americana do Afeganistão após vinte anos de presença militar, o Presidente Joe Biden rejeitou nesta terça-feira as críticas de que tem sido alvo pela forma precipitada como decorreu o processo. “Eu não iria prolongar esta guerra eternamente e não iria prolongar a retirada infinitamente”, vincou Joe Biden num tom firme.

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"Quando me candidatei à presidência assumi um compromisso com o povo americano: que poria fim a esta guerra! Agora honrei este compromisso. Àqueles que reivindicam uma terceira década de guerra no Afeganistão, eu pergunto 'Qual é o interesse vital nacional?’ No meu ponto de vista há apenas um: certificar-se de que o Afeganistão nunca mais voltará a ser usado para lançar um ataque contra a nossa pátria", lançou Joe Biden numa declaração difundida na televisão. "Quanto aos que desejam mal à América ou se envolvem no terrorismo contra nós ou os nossos aliados fiquem a saber isto: Os Estados Unidos nunca hão-de descansar! Não perdoaremos nem nos esqueceremos! Perseguir-vos-emos até ao fim do mundo e far-vos-emos pagar o preço forte!" prometeu o presidente americano neste discurso durante o qual martelou "É a decisão certa, uma decisão sábia e a melhor decisão para a América."

Joe Biden com tradução de Miguel Martins
Joe Biden com tradução de Miguel Matins

Ao saudar a acção das forças aliadas pela evacuação de 123 mil pessoas nas duas últimas semanas da retirada dos militares ocidentais, Joe Biden não deixou por outro lado de colocar em questão o seu antecessor, Donald Trump que no ano passado, quando ainda estava em posto assinou um acordo com os Talibã em que garantia que os Estados Unidos iriam retirar-se até ao passado mês de Maio. Este acordo, segundo Joe Biden, permitiu a libertação de 5 mil presos Talibã, entre os quais se encontravam alguns dos principais dirigentes dos insurrectos.

"Na altura em que entrei em funções, os Talibã se encontravam militarmente na posição mais favorável desde 2001, já que controlavam ou atacavam cerca de metade do país" lembrou o Presidente americano.

De acordo com um estudo da Universidade de Brown, após vinte anos de guerra no Afeganistão, os Estados Unidos perderam cerca de 2.500 soldados e gastaram cerca de 2.313 biliões de Dólares para impulsionar o desenvolvimento do país e oferecer apoio logístico e humano às forças armadas afegãs.

Com a sua partida, os Talibã que condicionavam o anúncio do seu futuro executivo ao fim da retirada americana, têm pela frente a tarefa de assumir a governação de um dos países considerados mais pobres e corruptos do mundo. Apesar de garantirem que pretendem ter boas relações com os Estados Unidos e o resto do mundo e apesar igualmente de se dizerem determinados em formar um "governo inclusivo", a comunidade internacional permanece prudente. Ainda continua presente nas memórias o regime fundamentalista que os Talibã instauraram quando dirigiram o Afeganistão entre 1996 e 2001.

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