Ucrânia / Estados Unidos

Presidente da Ucrânia procura apoio de Washington face aos russos

O Presidente ucraniano que já ontem esteve no Pentágono, vem à procura de apoio para modernizar as suas forças armadas bastante fragilizadas perante a Rússia.
O Presidente ucraniano que já ontem esteve no Pentágono, vem à procura de apoio para modernizar as suas forças armadas bastante fragilizadas perante a Rússia. Sergei SUPINSKY AFP

O Presidente americano Joe Biden prevê receber hoje em Washington o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pretende obter garantias de apoio dos americanos relativamente ao dossier do gasoduto Nord Stream 2 e face ao aumento da pressão dos russos no terreno militar.

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Já adiada por duas vezes, devido à retirada americana do Afeganistão e devido à urgência gerada pela passagem do ciclone Ida na Luisiana, esta visita acontece num momento igualmente delicado para a Ucrânia.

No passado dia 28 de Agosto, no Donbass, palco de confrontos entre Kiev e os separatistas apoiados por Moscovo, bombardeamentos provocaram 8 feridos no seio das tropas governamentais na pequena localidade de Avdiïvka controlada pelos ucranianos. Um acontecimento de uma violência inédita desde 2017 que analistas interpretam como uma pressão suplementar sobre Kiev, ainda antes do encontro entre Biden e Zelensky.

O Presidente ucraniano que já ontem esteve no Pentágono, vem à procura de apoio para modernizar as suas forças armadas bastante fragilizadas perante a Rússia que além do apoio aos separatistas, também concentrou 100 mil soldados junto das suas fronteiras com a Ucrânia no passado mês de Março, sem nunca totalmente retirá-los, apesar de anúncios neste sentido.

"Esta visita permitirá afirmar o apoio inabalável dos Estados Unidos à soberania e à integridade territorial da Ucrânia perante a contínua agressão da Rússia", garantiu ainda na segunda-feira em comunicado a Casa Branca. Os Estados unidos que desde 2014 investiram mais de 2,5 mil milhões de Dólares no sistema de defesa da Ucrânia, injectou no passado mês de Junho 150 milhões suplementares e já indicou que vai desbloquear outros 60 milhões de Dólares em apoio logístico e formação militar.

Outro assunto está igualmente em cima da mesa. O gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha e que contorna a Ucrânia, privando este país dos biliões de Dólares a que teria direito se fosse atravessado por essa estrutura, como sucedia habitualmente até ao surgimento das tensões na região.

No passado mês de Julho, no âmbito de um acordo estabelecido com Berlim, Joe Biden levantou os últimos obstáculos ao projecto, uma notícia mal acolhida por Kiev que receia que o gasoduto seja usado para fragilizar ainda mais a sua posição. Para tranquilizar a Ucrânia, tanto Berlim como Washington prometeram um "fundo verde" de mil milhões de Dólares para desenvolver os investimentos na energia sustentável e limitar as consequências do novo gasoduto. Este plano contudo não convence totalmente Kiev.

Numa altura em que os Estados Unidos acabam de se retirar do Afeganistão, deixando atrás de si um sentimento de abandono após vinte anos de presença militar, responsáveis russos chegam a apresentar isto como uma "lição" para a Ucrânia que tem dependido do ocidente durante estes sete anos de guerra contra os separatistas ligados a Moscovo. À luz destes acontecimentos, a imprensa ucraniana e observadores também se têm interrogado sobre o grau de confiança que pode existir entre Kiev e Washington.

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