Governo Talibã/reações mundiais

Afeganistão: reacções mundiais ao novo governo afegão

O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, durante a primeira coletiva de imprensa dos insurgentes desde a tomada de Cabul.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, durante a primeira coletiva de imprensa dos insurgentes desde a tomada de Cabul. AP - Rahmat Gul

Os Talibã anunciaram esta terça-feira, 7 de Setembro, a composição do governo interino do Afeganistão. Os nomes surgem três semanas depois dos insurgentes terem conquistado a capital do país, Cabul.

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Mohammad Hasan, que foi ministro durante o regime Talibã na década de 1990, vai assumir a chefia do governo afegão.

Por sua vez, Abdul Ghani Baradar, confundador do grupo Talibã, será o "número dois" do novo executivo, conforme avançou o porta-voz dos insurgentes, Zabihullah Mujahid.

Já Sirajuddin Haqqani, um dos fundadores da rede Haqqani classificada como organização terrorista, foi nomeado ministro do Interior. O novo elemento do governo é um dos homens mais procurados pelo FBI devido a ligações à Al-Qaeda e também ao envolvimento em ataques terroristas. Os Estados Unidos da América oferecem uma recompensa de mais de quatro milhões de dólares pela sua captura.

Estados Unidos da América “vão julgar afegãos pelos actos e não pelas palavras”

Os Estados Unidos da América já reagiram à constituição do novo governo afegão e começaram por apontar o facto do executivo não ser constituído por nenhuma mulher, uma promessa que havia sido feita pelos Talibã.

Notamos que a lista dos nomes anunciados é exclusivamente composta por membros dos talibãs ou de aliados próximos e nenhuma mulher”, disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, em Doha.

Os Estados da América mostraram-se ainda preocupados com as pessoas escolhidas para os cargos governamentais.

Estamos também preocupados com as ligações e os antecedentes de alguns destes indivíduos. No entanto, julgaremos os talibãs pelos actos e não pelas palavras”, garantiu o mesmo representante norte-americano.

ONU para as mulheres fala sobre exclusão no governo

Pramila Patten, directora executiva da ONU para as mulheres, também reconheceu que a não inclusão das mulheres no governo afegão vai ter impacto na coesão do país.

Ao excluir as mulheres da máquina do governo, a liderança do Talibã enviou um sinal errado sobre seu objectivo declarado de construir uma sociedade inclusiva, forte e próspera", defendeu.

Turquia reage com atenção aos novos acontecimentos  

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu estar a acompanhar de perto os últimos acontecimentos no Afeganistão e também falou sobre o novo executivo.

Não sabemos quanto tempo é que esse gabinete provisório vai durar. Tudo o que temos que fazer é seguir esse processo com atenção”, disse aos jornalistas, durante uma visita à República Democrática do Congo.

Qatar aponta pragmatismo dos Talibã

O Qatar também já reagiu aos novos acontecimentos no Afeganistão e considera que os Talibã mostraram pragmatismo e devem ser julgados como "governantes de facto" do país.

Eles mostraram muito pragmatismo. Vamos aproveitar as oportunidades que se apresentam e olhar para as suas acções públicas”, disse a ministra adjunta e porta-voz dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Lolwah al-Khater, em entrevista à agência de notícias AFP.

Eles são os governantes de facto, não há dúvida sobre isso”, acrescentou ainda.

O Qatar, país que desempenha um papel de mediador entre o Afeganistão e outros países, fez um apelo nos últimos dias aos Talibã e pediu-lhes que respeitassem o direito das mulheres e a possibilidade dos cidadãos deixarem o país de forma livre.

Nações Unidas almeja a paz

Por seu turno, a Organização das Nações Unidas disse não se envolver em actos de reconhecimento de governos, no entanto, almeja a paz no país.

Essa é uma questão que é feita pelos Estados membros, não por nós. Do nosso ponto de vista, em relação ao anúncio de hoje, apenas um acordo negociado e inclusivo trará uma paz sustentável ao Afeganistão”, disse Farhan Haq, porta-voz da ONU, em entrevista aos jornalistas.

O representante garantiu ainda que a ONU está empenhada em “contribuir para uma solução pacífica, promover os direitos humanos de todos os afegãos, especialmente mulheres e meninas e fornecer assistência humanitária que salva vidas”.

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