Julgamento atentados paris

Sallah Abdeslam apresenta-se a tribunal como “combatente do Estado Islâmico”

O julgamento dos atentados de 13 de setembro de 2015 começaram hoje no Palácio de Justiça de Paris.
O julgamento dos atentados de 13 de setembro de 2015 começaram hoje no Palácio de Justiça de Paris. © Carina Branco

O único sobrevivente do comando que perpetrou os atentados da noite de 13 de Novembro de 2015, em Paris, Sallah Abdeslam, apresentou-se hoje, em tribunal, como “combatente do Estado Islâmico”. Esta quarta-feira arrancou o primeiro dia do julgamento dos piores ataques terroristas cometidos em França que fizeram 130 mortos e centenas de feridos. No total há 20 arguidos que vão ser julgados. 

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"A audiência está aberta", foi com estas palavras que o presidente do colectivo de juízes, Jean-Louis Périès, declarou, às 13h17 minutos locais, a abertura do julgamento dos atentados de 13 de Novembro de 2015, com um atraso de quase 50 minutos, relativamente ao agendado. 

Do seu lado esquerdo, alinhavam-se 11 arguidos atrás de uma barreira de vidro, com cerca de 30 polícias à volta, enquanto outros três se alinhavam, mais à frente e sem barreira transparente, por comparecerem ao julgamento sob supervisão judicial e não estando actualmente presos.

Logo depois, o primeiro arguido a ser apresentado foi aquele em que as atenções estão principalmente concentradas, o único sobrevivente do comando que perpetrou os atentados da noite de 13 de novembro. Vestido totalmente de preto, incluindo a máscara, Salah Abdeslam começou por dizer que “não há outro Deus a não ser Alá”, disse que deixou a sua profissão para ser “combatente do Estado Islâmico” e não deu o nome dos pais dizendo que “eles não têm nada a ver com o assunto”.

Começa assim a longa maratona histórica de quase nove meses para julgar 20 arguidos no total, seis dos quais ausentes. O presidente do colectivo de juízes fez questão de afirmar, na abertura, que se trata de “um julgamento histórico e fora do comum”.

A sala de audiências, criada especialmente para este julgamento e com 550 lugares, encheu, assim como as salas com difusão vídeo para as partes civis e imprensa.

Forte afluência e emoção palpável nos olhares e na solenidade dos gestos, o julgamento reabre uma ferida colectiva na história de França e intensifica a dor dos que perderam entes queridos e dos que foram directamente vítimas dos atentados no Stade de France, nas esplanadas de cafés e no Bataclan.

No exterior do Palácio da Justiça, na Ile de la Cité, há avenidas fechadas e muita polícia. Até porque a ameaça terrorista permanece, como fez questão de sublinhar ontem o ministro do Interior, Gérald Darmanin, que pediu às autoridades “um alto nível de vigilância” no país durante o julgamento, especialmente junto a locais de culto, de ensino e de grandes concentrações, assim como junto dos locais dos atentados de 13 de Novembro.

O ministro lembrou que durante o julgamento dos atentados ao Charlie Hebdo houve vários ataques, nomeadamente na antiga sede do semanário satírico e contra um professor.

De notar que só a partir de 28 de Setembro é que começam a ser ouvidas as vítimas e, no início de Novembro, há os primeiros interrogatórios dos arguidos, focados nas suas personalidades e percursos. Sobre os atentados, os interrogatórios aos réus começam em Janeiro, estando o de Salah Abdeslam previsto para dias 13 e 14 de Janeiro. A leitura do veredicto está prevista para os dias 24 e 25 de Maio de 2022. 

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