Macau

China refuta ingerências em Macau denunciadas pelo Parlamento Europeu

Região administrativa especial de Macau beneficia, no seio da China, de estatuto próprio, acordado com Portugal, até 2049.
Região administrativa especial de Macau beneficia, no seio da China, de estatuto próprio, acordado com Portugal, até 2049. Eduardo Leal AFP/File

O Ministério chinês dos negócios estrangeiros e o governo de Macau refutaram as críticas do Parlamento Europeu desta quinta-feira quanto ao suposto desrespeito da Lei básica do antigo território português e das disposições da Declaração entre Pequim e Lisboa quanto ao processo de transição em curso.

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A China refuta o teor do relatório do Parlamento Europeu desta quinta-feira denunciando a ingerência de Pequim nas recentes eleições de Macau, onde mais de 20 candidatos à Assembleia legislativa ficaram excluídos da corrida, ou no controlo dos meios de comunicação social públicos do antigo território português.

A China denunciou "preconceitos e mentiras" no documento do Parlamento Europeu, segundo a agência de notícias Xinhua citando o Gabinete do Comissário do Ministério chinês dos negócios estrangeiros da China na Região administrativa especial de Macau.

E isto enquanto o governo macaense, citado pela agência Lusa, garantia que as eleições do passado domingo decorreram "de forma ordenada e em cumprimento da Lei Básica".

Ora os eurodeputados apontam, precisamente, o dedo a Pequim quanto ao desrespeito desta Lei Básica, que rege a vida em Macau até 2049.

Um documento que é produto de disposições acordadas entre a China e Portugal desde a transferência de soberania do território em 1999 de Lisboa para Pequim.

Nuno Melo, eurodeputado português, denuncia esse suposto desrespeito dos acordos assumidos pela China com Portugal relativamente a Macau.

"Tem que ver com as obrigações e com os compromissos da China perante o Estado português a propósito da entrega do território de Macau na base de garantias, entre outras, de que não existiriam essas interferências nos processos eleitorais e junto da comunicação social."

Nuno Melo, eurodeputado português, sobre desrespeito pela China dos acordos com Portugal, 17/9/2021

O eurodeputado português Nuno Melo afirma que a China reage sempre ofuscada às críticas que lhe são apontadas.

"Em qualquer expressão que belisque os interesses da China, veja o que sucede nas águas territoriais que a China reclama para si, nos conflitos que vai mantendo com o Vietname, ou com outros países da sua influência regional, tudo o que tem que ver com Taiwan, tudo o que seja uma afirmação externa sobre realidades que a China entende como suas, a China reage assim.

É também, em certa medida, uma forma cultural. São afirmações da sua soberania perante o mundo" remata o eurodeputado lembrando o melindre de Pequim pelas interferências externas até há pouco tempo, onde até ao final da década de 90, Hong Kong e a Macau estavam ainda sob administração europeias, respectivamente do Reino Unido e de Portugal.

Nuno Melo, eurodeputado português, sobre reacção chinesa às críticas, 17/9/2021

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