Rússia

Partido de Putin reclama vitória nas legislativas russas, oposição denuncia fraudes

Membros de uma comissão eleitoral local efectuando a contagem dos votos numa mesa eleitoral dentro do terminal ferroviário de Kazansky, em Moscovo, a 19 de Setembro de 2021.
Membros de uma comissão eleitoral local efectuando a contagem dos votos numa mesa eleitoral dentro do terminal ferroviário de Kazansky, em Moscovo, a 19 de Setembro de 2021. REUTERS - EVGENIA NOVOZHENINA

De acordo com resultados preliminares baseados na contagem de mais de 95% dos votos 'Rússia Unida', a formação do presidente Putin, saiu vencedora com um pouco mais de 49% dos sufrágios nas legislativas que decorreram até ontem na Rússia. O Kremlin considerou que estas eleições decorreram de forma transparente. Já a oposição denuncia fraudes e a União Europeia fala em "clima de intimidação" durante este processo.

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A Presidente da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova, confirmou que o partido 'Rússia Unida' conquistou mais de dois terços dos assentos na câmara baixa do Parlamento, a Duma, ou seja, a formação no poder recolheu mais de 300 dos 450 assentos parlamentares, o que é suficiente para rever a Constituição.

Ao saudar a “transparência e probidade” destas eleições, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou que partido no poder “cumpriu a sua missão”. Nestas eleições em que o partido de Vladimir Putin não chegou contudo aos mais de 54% dos votos alcançados nas anteriores eleições, em 2016, a oposição que apela a manifestações denunciou fraudes massivas, nomeadamente a falsificação da votação online e a exclusão de observadores eleitorais, acusações logo desmentidas pela CNE.

Perante esta situação, Berlim pediu que estas suspeitas sejam esclarecidas, enquanto a União Europeia denunciava um clima de "intimidação". No mesmo sentido, Washington considerou que os russos foram "impedidos de exercer os seus direitos civis". Em comunicado, o porta-voz da diplomacia dos EUA, Ned Price, afirmou que "as eleições parlamentares de 17 a 19 de Setembro na Federação Russa foram realizadas em condições que não favoreciam procedimentos livres e justos".

Também na óptica de José Milhazes, jornalista que foi durante largos anos correspondente da RFI em Moscovo, "as eleições começaram a correr de forma não democrática ainda antes de começarem. Houve da parte do Kremlin uma filtração de candidatos. Ou seja os candidatos ligados à oposição extraparlamentar, nomeadamente ligada a Alexeï Navalny ou pessoas que tivessem participado em iniciativas organizadas por Alexeï Navalny, ficaram proibidas de se poder candidatar. Além disto, mesmo as listas dos partidos obedientes ao Kremlin foram alvo de purgas, nomeadamente o Partido Comunista. O Kremlin tirou alguns dos candidatos comunistas das eleições. Logo, mutilou a democracia no acto eleitoral. Depois é aquilo que nós sabemos, os funcionários públicos a serem obrigados a votar. Um exemplo muito concreto, nas forças armadas, a afluência às urnas foi de 99, 8%. Ou seja, é duvidoso que exista tão grande afluência às urnas numas eleições. Além disso também, houve compras de votos, houve sorteios para quem participou na votação e outro tipo de esquemas que fazem com que dificilmente se possa considerar estas eleições umas eleições democráticas", acrescentou ainda o jornalista que continua a seguir de perto da actualidade russa.

De referir que para além da 'Rússia Unida' e do Partido Comunista, em segundo lugar com um pouco mais de 19% dos votos, três outros partidos, todos eles considerados compatíveis com a linha seguida pelo poder, conseguiram transpor o patamar mínimo dos 5% para serem representados no parlamento: os nacionalistas do LDPR com 7,53% dos votos, os centristas da 'Rússia Justa' com 7,34% dos sufrágios e o recém-criado partido da 'Nova Gente' com 5,31% dos votos.

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