ONU / Estados Unidos

Na ONU, Biden garante que não deseja uma nova «Guerra Fria» com a China

«Não desejamos uma nova Guerra Fria, ou um mundo dividido em blocos rígidos» declarou Joe Biden na assembleia geral da ONU, nesta terça-feira 21 de Setembro de 2021.
«Não desejamos uma nova Guerra Fria, ou um mundo dividido em blocos rígidos» declarou Joe Biden na assembleia geral da ONU, nesta terça-feira 21 de Setembro de 2021. TIMOTHY A. CLARY POOL/AFP

Desde hoje e durante uma semana decorre a 76ª assembleia geral da ONU em Nova Iorque. Este ano, entre as questões dominantes, destacam-se as novas alianças que têm estado a emergir sob o impulso dos Estados Unidos, rebatendo as cartas a nível internacional. Questões abordadas por um dos primeiros oradores, o Presidente americano.

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Nesta que foi a sua primeira intervenção como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden afirmou privilegiar a linha da diplomacia e do multilateralismo perante os seus aliados europeus que ultimamente o têm acusado de tomar decisões de forma unilateral. Último exemplo disso, a ‘crise dos submarinos’ aberta na semana passada depois de os Estados Unidos, Reino unido e Austrália terem anunciado a conclusão do pacto AUKUS, a sua estratégia conjunta para o Indo-Pacífico que invalidou -sem pré-aviso um contrato entre Paris e Camberra para a aquisição de submarinos franceses.

«Não desejamos uma nova Guerra Fria, ou um mundo dividido em blocos rígidos» declarou Joe Biden acrescentando contudo que «os Estados unidos vão participar na competição e participar com vigor», referindo-se indirectamente ao confronto com a China, a sua prioridade em termos de política externa.

Ao prometer «defender a democracia», Joe Biden garantiu igualmente que «com os seus valores e a sua força, os Estados Unidos vão defender os seus aliados e amigos e opor-se a qualquer tentativa dos países mais fortes de dominar os mais frágeis».

Antes de o presidente americano discursar, ao apelar a China e os Estados Unidos ao diálogo e à compreensão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, teceu advertências sobre uma possível degradação das crises mundiais que poderia ser «muito menos previsível do que a Guerra Fria».

Expressando-se precisamente sobre algumas das crises ainda por resolver, o dossier do nuclear iraniano, Joe Biden declarou que os Estados Unidos só regressariam por completo ao acordo com Teerão se o Irão «também o fizesse», o presidente americano tendo ainda garantido que iria impedir este país de se dotar da arma nuclear.

Na tribuna da ONU, Joe Biden prometeu por outro lado envidar esforços com o Congresso americano no sentido de aumentar a ajuda dos Estados Unidos aos países menos avançados para fazer frente às mudanças climáticas.

Biden indicou ainda que vai anunciar, numa cimeira virtual a ser organizada em breve, compromissos suplementares do seu país no intuito de incrementar a vacinação contra a covid-19 nos países mais fragilizados.

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