Amnistia Internacional/Covid-19

Amnistia Internacional: "As farmacêuticas têm de colocar as pessoas à frente dos lucros"

Vacina contra a Covid-19.
Vacina contra a Covid-19. REUTERS - Athit Perawongmetha

A Amnistia Internacional acusou esta quarta-feira 6 empresas farmacêuticas de recusarem participar em iniciativas para aumentar a oferta global de vacinas contra a covid-19 e, consequentemente, o facto de desvalorizarem o fornecimento aos países mais pobres. 

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Paulo Fontes, director de comunicação da Amnistia Internacional, defende que as farmacêuticas estão a contribuir para uma crise de direitos humanos sem precedentes.

"A análise que nós fizemos a estas 6 empresas (Pfizer, BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Novavax e Johnson & Johson) demonstra que elas estão a contribuir para uma crise de direitos humanos sem precedentes com aquilo que devia ser uma solução e acaba por não ser a solução universal porque estas empresas recusam-se a abdicar dos direitos de propriedade intelectual e também a partilhar a tecnologia das vacinas e não estão a priorizar o fornecimento de vacinas a países mais pobres", começou por defender Paulo Fontes.

Para o director de comunicação da Amnistia Internancional é essencial que as empresas cumpram os prazos estebelecidos pela Organização Mundial de Saúde que pretende entregar 2 mil milhões de vacinas aos países mais pobres até ao final do ano, o que corresponde a uma percentagem de cerca de 40% da população.

Recorde-se que até ao momento, por exemplo, o continente africano tem apenas cerca 2% da população vacinada. Enquanto que nos países desenvolvidos já se fala na possibilidade da administração de uma terceira dose da vacina contra a Covid-19, existem pessoas nos países subdesenvolvidos que ainda não conseguiram ter acesso à primeira dose.

"É também fundamental que estas empresas  se juntem a programas como o C-TAP e outros programas que existem para partilha da tecnologia e da propriedade intelectual para que outras empresas possam produzir doses de vacinas em número suficiente, que sejam seguras e eficazes para vacinar toda a população a nível global", defendeu o director de comunicação da Amnistia Internacional.   

O responsável recordou ainda que as investigação das vacinas foi financiada com dinheiro público e, como tal, existe a necessidade de "uma dimensão de restituição daquilo que foi dado a estas empresas".

"O essencial é que estas empresas farmacêuticas percebam que têm um papel preponderante na resposta à pandemia e que têm de colocar os direitos humanos e as pessoas à frente de só os lucros", rematou Paulo Fontes.

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