Autárquicas Portugal

Portugal: Carlos Moedas contraria sondagens e vence em Lisboa

Carlos Moedas presidente eleito da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas 2021.
Carlos Moedas presidente eleito da Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas 2021. © Rodrigo Antunes - Lusa

O PS conquistou 148 câmaras, um valor aquém do resultado histórico alcançado nas eleições autárquicas de 2017. Carlos Moedas, candidato da coligação "Novos Tempos" entre PSD/CDS/Aliança/MPT/PPM, venceu a Câmara Municipal de Lisboa. Fernando Medina, que procurava a reeleição apoiado pela coligação "Mais Lisboa", do Partido Socialista/Livre, perdeu apesar das expectativas.

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A notícia da noite eleitoral em Portugal para o futuro do PS nacional foi a derrota inesperada em Lisboa para a coligação de direita de Carlos Moedas, contra todas as sondagens e previsões e com direito a um discurso abalado de Fernando Medina.

"Eu começo por felicitar publicamente o engenheiro Carlos Moedas e a coligação Novos Tempos pela vitória que tiveram para a Câmara Municipal de Lisboa. É uma indiscutível vitória pessoal e política do engenheiro Carlos Moedas. Quero, em segundo lugar, assegurar que me empenharei pessoalmente na transição de todos os dossiers com a maior eficácia e qualidade que me for possível", começou por dizer o autarca cessante da capital portuguesa.

Depois, Fernando Medina agradeceu aos lisboetas: "Quero agradecer aos lisboetas que me deram o incrível privilégio de ser presidente da nossa cidade e de ao longo de muitos anos desempenhar aquela que é seguramente uma das mais belas funções públicas que alguém pode ter privilégio de exercer".

"Fizemos o melhor que sabíamos e podíamos para lidar com uma capital num momento particularmente exigente da nossa história", garantiu, enumerando depois alguns dos 'feitos' conseguidos enquanto autarca de Lisboa.

"Conseguir fazê-la avançar como capital competitiva num mundo global e aberto e, ao mesmo tempo, assegurar que todos pudessem ter aqui a sua melhor oportunidade, desde os avanços da habitação, à agenda verde, à promoção do transporte colectivo. Tenho a convicção profunda de que a agenda que seguimos era a correcta para o futuro da cidade de Lisboa", rematou.

Oiça aqui o discurso de Fernando Medina:

Fernando Medina, autarca cessante de Lisboa, em declarações recolhidas pela agência Lusa

Os socialistas saíram também da presidência da câmara da Figueira da Foz, conquistada pelo independente Pedro Santana Lopes. O antigo primeiro-ministro terminou a noite com uma vitória e com um "resultado extraordinário".

Em Coimbra, a coligação de direita liderada pelo PSD e por José Manuel Silva, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e nome escolhido por Rui Rio, também conquistou o município do presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado.

O Partido Socialista caiu de 140 em 2017 para 123 este ano.

PSD cresce, mas de braço dado

Carlos Moedas é o rosto do crescimento do Partido Social-Democrata pelo país, ao reconquistar uma Câmara de Lisboa que não vestia a cor laranja desde 2007.

O engenheiro Carlos Moedas mostrou-se feliz com a vitória e prometeu mudança. "Que orgulho! Ganhámos contra tudo e contra todos! Queria cumprimentar todos os candidatos, todos os eleitos nestas eleições. Uma palavra muito especial para Fernando Medina com quem falei e lhe desejei o melhor para a sua vida pessoal e profissional. A democracia é isso mesmo", começou por dizer.

O presidente eleito na capital prometeu estar ao lado de todos os lisboetas. "Quero agradecer o voto de confiança que me foi dado pelos lisboetas. Obrigado, Lisboa. Não vamos falhar. Comprometo-me com todos os lisboetas. É isso que vamos fazer. Vamos mudar Lisboa. Acreditem", disse, notoriamente satisfeito com a vitória.

"Esta campanha, meus amigos, é a prova de que podemos mudar o sistema. Serei o presidente de todos os lisboetas. Queria dizer aos mais idosos que estarei aqui para os proteger. Quero dizer aqueles que estão mais frágeis que são eles a razão da minha luta, são eles que me fazem  estar aqui e foi com eles que aprendi tanto nestes últimos 7 meses", terminou.

Oiça aqui o discurso de vitória de Carlos Moedas:

Carlos Moedas, candidato vencedor das autárquicas em Lisboa, em declarações recolhidas pela agência Lusa

O antigo comissário europeu e antigo ministro do governo de Passos Coelho venceu a capital portuguesa com uma vantagem de cerca de 2.300 votos.

Uma vantagem pequena, o salto do PSD no total nacional é mais notório, uma vez que os sociais-democratas perderam cinco câmaras como partido isolado, mas foi na união que o PSD encontrou a força. As coligações entre PSD e CDS-PP vão governar em 31 câmaras municipais, comparativamente com as 16 de 2017.

Já o CDS-PP, mantém as seis câmaras que tinha em 2017. Em Lisboa, a reviravolta da direita fez-se sentir nas freguesias mais importantes como Arroios ou Lumiar. A coligação "Mais Lisboa" conquistou 11 das 24 freguesias de Lisboa, com o resto a ir para o PS e para o Livre.

Em 2017, o eurodeputado João Ferreira conquistou menos de 10% das intenções de voto e dois deputados em Lisboa. Este ano, o candidato presidencial em Janeiro aumentou a percentagem da CDU na capital para quase 11% e termina a eleição com um resultado superior.

A CDU (coligação PCP/PEV) conseguiu segurar Évora por pouco, mas sai do resto do Alentejo mais fraca, perdeu Alvito (Beja) e Montemor-o-Novo, Mora e Vila Viçosa (Évora), além da Moita em Setúbal e Alpiarça em Santarém.

Jerónimo de Sousa, num discurso curto logo no início da noite, admitiu que o resultado ficou "aquém dos objectivos". "Admitimos que queríamos outros resultados, mas quem anda nesta vida sabe que às vezes perde-se".

O Bloco de Esquerda (BE9 começou a noite ao dizer que estava "disponível para ser solução, em Lisboa". Apesar de ter ficado atrás do Chega no número total de votos e continuar a cair nas eleições autárquicas, o BE conseguiu manter um vereador em Lisboa com a eleição de Beatriz Gomes Dias. No Porto, Sérgio Aires tornou-se no primeiro vereador da história do partido no município.

Do outro lado do espectro político, o Chega e a Iniciativa Liberal (IL), os dois partidos com assento parlamentar que se estrearam nestas autárquicas, tiveram resultados diferentes. Os dois partidos tinham expectativa de eleger um vereador em Lisboa, mas falharam. O Chega foi a sexta força mais votada, com 4,15% dos votos, enquanto a IL conseguiu 1,25%.

O PAN ficou-se apenas pelos 1,11% a nível nacional. Há dois outros dois partidos que, em termos nacionais, podem passar despercebidos: o Nós, Cidadãos perdeu Oliveira de Frades e o partido JPP segurou a câmara na autarquia de Santa Cruz, no arquipélago da Madeira.

A segunda maior cidade do país teve um resultado menos inesperado que Lisboa, mas significativo. O independente Rui Moreira foi reeleito para um terceiro e último mandato, mas vê a sua governação ficar fragilizada com os resultados de domingo.

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