O Namibe perante a perspectiva de produzir petróleo

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Cartaz da manifestação organizada em finais de Janeiro contra a exploração de petróleo no Namibe.
Cartaz da manifestação organizada em finais de Janeiro contra a exploração de petróleo no Namibe. © DR

Desde o ano passado, o governo angolano pondera a possibilidade de explorar petróleo no litoral do Namibe, no sul do país. Em sessões de apresentação deste projecto à sociedade civil e habitantes da região em finais do ano passado e no mês de Janeiro, o executivo garantiu que tudo está a ser feito para que a actividade de prospecção de petróleo seja feita de forma sustentável, respeitando as características da província e isto com benefícios para a população local.

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O governo referiu ainda que, no caso de se confirmar a existência do crude em quantidade economicamente viável, a possível produção de petróleo seria efectuada a 70 milhas e não antes de 2030, depois de serem efectuados estudos de impacto ambiental.

Este projecto foi acolhido com algum cepticismo por algumas franjas da população local que se dedica essencialmente à pesca. De acordo com dados oficiais, a zona piscatória do Namibe representa 65% de toda actividade pesqueira do país, esta região oferecendo uma grande variedade e diversidade de recursos pesqueiros.

Os habitantes da zona receiam o impacto que a exploração de petróleo poderá ter sobre o ambiente e o seu principal meio de subsistência. Este ano, os pescadores, membros da sociedade civil e residentes organizaram duas manifestações, a última das quais no sábado passado sob o lema "Peixe sim, petróleo não".

Francisco Tchimbwa, activista e professor na vila piscatória de Tombwa no Namibe, o irmão dele, Domingos Tchimbwa, estudante na área de recursos marinhos e Vladimir Russo, director executivo da fundação ambientalista Kissama, evocaram connosco as problemáticas colocadas pelo projecto governamental de passar a produzir petróleo nesta zona do sul de Angola.

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