Ciência

Forragem hidropónica pode mitigar efeitos da seca em Cabo Verde

Áudio 08:44
Adilson Matias, Biólogo e co-fundador de empresa de forragem hidropónica em Cabo Verde.
Adilson Matias, Biólogo e co-fundador de empresa de forragem hidropónica em Cabo Verde. © Carina Branco/RFI

Os jovens cabo-verdianos Adilson Matias e Ederlindo Ribeiro criaram uma empresa que aposta na forragem hidropónica. O objectivo é mitigar a falta de alimentos saudáveis para os animais devido à constante seca em Cabo Verde. Oiça a entrevista neste programa ciência.

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Adilson Matias, formado em Biologia, e Ederlindo Ribeiro, licenciado em Relações Internacionais, começaram em 2016 com um projeto de forragem hidropónica, integrado com pecuária leiteira destinado a ensinar os pequenos agricultores e criadores a produzirem pasto verde.  Em 2017, ambos criaram a empresa Carvalho Agropec, focada na agropecuária e no paisagismo e jardinagem.

O projecto de produção de forragem hidropónica é para alimentação animal. Como Cabo Verde é um país que tem longos períodos de seca, o projecto tem a intenção de tentar mitigar a falta de alimento saudável para a pecuária”, explica Adilson Matias, de 30 anos, e sócio-gerente da empresa.

Entrevista a Adilson Matias

O biólogo trabalhou alguns anos no Brasil, onde conheceu um projecto similar "Pasto", e quis levar a ideia para Cabo Verde para "tentar mitigar o problema da seca de alguma forma". O objectivo é também transmitir o conhecimento e dar resiliência aos pequenos criadores para garantir mais segurança alimentar no arquipélago porque muitos animais ainda comem muito papelão e outros lixos.

No fundo, o projecto visa "mitigar o problema da insegurança alimentar e da insalubridade alimentar em Cabo Verde". "Poucas pessoas relacionam as doenças ao que comem, pensam que estão a comer bem, mas não sabem de onde vem a carne. A ideia é saber de onde vem o teu alimento", resume.

A inovação é "fazer o pasto na hidroponia", algo que permite reutilizar água e economizar terreno já que a hidroponia é "a técnica de cultivo sem solo e só precisa de água". "O que se produz em um hectare de solo, nós conseguimos produzir em 380 metros quadrados, ou seja, duas toneladas de pasto por dia", ao contrário do pasto ao ar livre que os animais comem e que se tem de esperar que volte a nascer para os animais voltarem a ter alimento.

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