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Brexit: Boris Johnson pronto para um "No deal"

Áudio 10:11
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson. REUTERS/Toby Melville/Pool
Por: Liliana Henriques
13 min

Termina hoje o Conselho Europeu, uma cimeira cuja agenda abrangia discussões em torno do clima, a gestão da crise do coronavírus assim como o Brexit. 

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Sobre este último ponto, numa altura em que faltam poucas semanas para entrar em vigor a saída definitiva do Reino Unido a partir do próximo 31 de Dezembro, esta cimeira traduziu-se por um novo impasse entre os europeus e os britânicos, ao ponto que o chefe do executivo de Londres, Boris Johnson, acusou a União Europeia de não estar disposta a negociar seriamente e disse que o seu país vai preparar-se para um "No deal".

Ao recordar que "o Reino unido não conseguiu fazer acordos económicos virtualmente com nenhum país fora da União Europeia", Hélder Macedo, professor emérito do King's College de Londres, refere que no caso de se enveredar para um "No deal", a Grã-Bretanha "terá de entrar em negociações, aplicar tarifas, os preços vão subir, haverá faltas e vai tornar-se cada vez mais dependente dos Estados Unidos", sendo que tanto no caso de Donald Trump ganhar as presidenciais de 3 de Novembro ou o seu adversário, Joe Biden, sair vencedor, "o governo britânico encontra-se entre duas opções negativas".

Referindo-se às atribuladas negociações em torno do acordo autorizando uma série de países europeus, entre os quais a França, a pescar nas águas territoriais britânicas, um ponto sobre o qual o governo britânico afirma "não pretender sacrificar os pescadores ingleses", o professor Hélder Macedo considera que "é possível que ainda haja um pequeno acordo mais ou menos cosmético mas não se vê também que o Presidente Macron, que está também a precisar de agradar ao seu eleitorado, vá fazer essa cedência que será altamente impopular em França".

Quanto à espinhosa questão da Irlanda do Norte que, em virtude de um eventual "No deal", corre o risco de ver novamente erguer-se uma fronteira física com a República Irlandesa, esta última permanecendo no seio da UE, Hélder Macedo considera que "isto vai totalmente contra o espírito do acordo de Sexta-feira Santa (assinado em 1998) e pode levar ao recrudescimento do terrorismo e do contrabando", sem contar que na sua óptica "isso também pode levar a apressar o processo de integração da Irlanda do Norte na República Irlandesa".

Por fim, sobre as possibilidades de Londres e Bruxelas se entenderem, o professor emérito do King's College refere que "uma coisa que será possivelmente necessária, será dar alguma margem ao governo britânico para poder dizer ao seu mercado eleitoral interno que conseguiu concessões da União Europeia e talvez isto seja possível, evitando o que seria um colapso desastroso para a Inglaterra e também sério para a União Europeia".

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