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Presidenciais EUA: todos os cenários em aberto

Áudio 12:08
Joe Biden e Donald Trump disputam a presidência norte-americana.
Joe Biden e Donald Trump disputam a presidência norte-americana. REUTERS/Carlos Barria/Leah Millis

Os americanos foram chamados às urnas esta terça-feira, depois de uma campanha eleitoral marcada pela pandemia do novo coronavírus e num contexto de uma “polarização extrema da sociedade norte-americana”. Para vencer estas presidenciais, Donald Trump ou Joe Biden precisam de pelo menos 270 dos 538 delegados do Colégio Eleitoral, que são de resto designados estado a estado em função do peso demográfico.

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Ainda com tudo em aberto, o candidato republicano Donald Trump reivindicou vitória e a equipa de Joe Biden, candidato democrata, considerou um “escândalo” “sem precedentes”.

Boaventura Sousa Santos, sociólogo português, ligado ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sublinha que “muitos ditadores por este mundo fora estão a aprender com Donald Trump a destruir uma democracia”.

Um presidente não pode exigir que um tribunal suspenda [a contagem dos votos], podem os seus advogados levantar uma questão judicial”, sublinha Boaventura Sousa Santos. Logo, na primeira declaração à imprensa, o presidente cessante anunciou vitória e ameaçou recorrer à justiça para parar a contagem dos votos: “vamos recorrer para o Supremo Tribunal e tentar parar a contagem de votos”, palavras de Donald Trump.

Apesar da contagem dos votos decorrer de forma pacífica, as palavras de Donald Trump podem vir a ter consequências nas ruas, “é absolutamente imprevisível se Donald Trump continuar a dizer que é preciso suspender [a votação] e que ele já não acredita no processo eleitoral e que isto é um embaraço para todo o mundo. Pode rebentar numa onda de violência e de guerra civil, além do descrédito total do sistema eleitoral dos Estados Unidos”. 

O sociólogo que vive metade do ano nos Estados Unidos, ressalta que Donald Trump, por não saber o que lhe pode acontecer caso não seja eleito, está a tentar “salvar os seus negócios, a família e a pele”. 

O voto por correspondência foi tema desta campanha eleitoral, com o actual presidente a associar este voto a fraude eleitoral. Para Boaventura Sousa Santos, Trump faz esta associação porque o voto por correspondência favorece os democratas. “Se realmente ele [Donald Trump] tivesse a certeza que o voto por correspondência era maioritariamente republicano, seria o grande campeão do voto por correspondência”. 

Se Donald Trump accionar o Supremo Tribunal em relação ao voto por correspondência, pode vir a ser beneficiado pela maioria conservadora do órgão e pela magistrada recentemente nomeada para o posto Amy Coney Barrett, nas palavras de Sousa Santos. “Este homem é maquiavélico e previu exactamente isto” e, por isso, que já tinha um batalhão de advogados para contestar os resultados onde poderia eventualmente ter problemas. “é realmente uma quase conspiração bem planeada para destruir a democracia norte-americana”, concluiu.  

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