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EUA: Trump sem hipóteses face a uma democracia sólida

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EUA: Trump face sem hipóteses face uma democracia sólida
EUA: Trump face sem hipóteses face uma democracia sólida AP - John Locher

A administração dos Serviços Gerais, a entidade responsável pelo processo de transição federal nos Estados Unidos, informou o Presidente eleito Joe Biden que a administração Trump está preparada para iniciar o processo de transição. Donald Trump mantém a narrativa de fraude eleitoral e refere que o desbloqueio de verbas não significa que tenha perdido as esperanças de ser reeleito. Para Álvaro Vasconcelos, especialista em relações internacionais e geopolítica, Trump não tem nenhuma hipóteses face a uma democracia sólida.

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Álvaro Vasconcelos, especialista em relações internacionais e geopolítica, considera que o início do processo de transição é extremamente importante, porque vai dar ao Presidente eleito os meios financeiros e os contactos para assumir a presidência com "a eficácia necessária".

"Por um lado permite que a nova equipa tenha acesso a todos os meios financeiros necessários e por outro, o mais importante, permite ao Presidente eleito Biden aceder a informação secreta no domínio da segurança internacional, de segurança interna, ou seja, toda a informação necessária para a eficácia da nova administração", explicou.

Donald Trump mantém a narrativa de fraude eleitoral e salienta que o desbloqueio de verbas não significa que tenha perdido as esperanças de ser reeleito. Álvaro Vasconcelos refere que Trump não tem qualquer hipótese e acusa o Presidente cessante de ter tentado levar a cabo um "golpe de Estado" .

"Trump não tem nenhuma hipótese porque os Estados Unidos são uma democracia bastante sólida. Trump, no fundo, o que tentou foi um golpe de Estado, mas um golpe de Estado numa democracia com instituições muito fortes. Nós vimos que as instituições não acompanharam a vontade do golpe de Estado do Presidente. Os militares disseram claramente que havia um processo constitucional e que o seu juramento de fidelidade era com a Constituição e não com um homem em particular. Os tribunais reagiram firmemente às mentiras e teorias conspirativas de Trump e os Republicanos, que fazem parte dos processos eleitorais aonde Trump tentava alterar o resultado, disseram que o que conta são os votos", evidenciou. 

O presidente eleito Joe Biden apresentou, ontem, alguns nomes que vão integrar a equipa governamental. Antony Blinken foi confirmado como Secretário de Estado e John Kerry será o Enviado Especial para o Clima. O democrata indicou Alejandro Mayorkas para a Segurança Interna, Jake Sullivan foi nomeado Conselheiro de Segurança Nacional e Avril Haines assume o cargo de directora de Inteligência Nacional. Linda Thomas-Greenfield será a representante do país junto das Nações Unidas.

O especialista em relações internacionais e geopolítica garante que a administração de Joe Biden vai pautar-se pela procura de soluções multilaterais para os problemas que o mundo enfrenta e que a América, em particular, enfrenta.

"Será assim nas relações com a China, procurar integrar a China no sistema multilateral. Será assim no combate à pandemia, com o regresso dos Estados Unidos à Organização Mundial da Saúde, e será assim no domínio do ambiente", enumera.

Alvaro Vasconcelos defende ainda que Biden terá uma posição diferente em relação à Europa e aos conflitos no mundo.  " Nos problemas de segurança gravíssimos no Médio Oriente, nas guerras na Síria e no Iémen. É também uma óptima notícia para a Europa, que viu nos últimos anos os Estados Unidos trabalharem, activamente, para tentarem desconstruir a União Europeia e apoiar o Brexit", concluiu. 

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